Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais
Enviada em 15/05/2022
Na série estadunidense “Sozinhos”, a antalogia narra histórias modernas, na qual uma delas aborda uma mulher que vive trancafiada dentro de casa pois o isolamento com personas virtuais se tornou confortável. Fora da ficção, é possível visualizar como a presença online desenvolveu um efeito bolha, o qual distorce e dificulta os processos humanos. Em função disso, precisa-se entender as raízes da alienação contemporânea e como tal problema se ramifica nos grupos sociais.
Nesse viés, em primeira análise, é fulcral compreender como o contexto social afeta as relações humanas, virtualmente ou não. Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, trabalhou a tese de que a sociedade moderna passa por um processo de “liquidez”, no qual os vínculos de empatia se desfazem e as pessoas agem em função de se manter nas suas bolhas, ou seja, na defesa de sua própria alienação. A partir disso, é possível inferir que as modalidades das relações, hodiernamente, são afetadas pelos elementos de uma nova realidade populacional, como no advento das redes sociais, sendo um novo artíficio coercitivo difundido.
Em segunda análise, é preciso visualizar como a questão das bolhas contemporâneas afetam os meios populares. Sérgio Buarque, sociólogo brasileiro, estudou e desenvolveu a ideia das esferas cordiais, a qual aborda a existência de círculos delusivos nos quais as pessoas passam por métodos de identificação, em outras palavras, se alheiam em processos ideológicos. Na contemporaneidade, essa teoria se aplica nas redes sociais, onde, por presença online, acontece interações a partir de seus interesses, ou seja, segmentos de pensamento que levam à alienação dos invidíduos na modernidade tecnológica da sociedade.
Dessarte, a existência de um efeito bolha se intensifica com o advento das redes sociais. Em razão disso, dentro de parâmetros nacionais, é preciso que o Ministério da Educação, em sua função de prover a formação crítica dos indivíduos, forneça verba para campanhas publicitárias em parceria com empresas e pessoas influenciadoras, afim de promover um debate acerca da alienação nos meios digitais. Além disso, alocar na grade curricular de escolas o ensino da inteligência virtual. Com isso, será possivel desconstruir as esferas cordiais que alheiam as pessoas, e retirar do Brasil os males do encarceramento de pensamento.