Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais

Enviada em 16/06/2022

Na série britânica “Black Mirror”, no episódio “Nose dive”, é retratado um futuro no qual as redes sociais se desenvolveram de tal forma que moldam o modo de agir dos usuários, que vivem em prol de uma boa avaliação na plataforma. Fora das telas, a realidade muito se assemelha com a ficção, com indivíduos fechados em bolhas sociais em que selecionam o conteúdo que desejam ver e se alienam acerca da problemática do mundo real. De maneira análoga, a bolha criada pelas redes sociais favorece a propagação de fake news e discursos de ódio em grupos virtuais, comportamentos que devem ser combatidos.

Nesse contexto, no livro “21 lições para o século XXI”, de yuval Harari, o autor escreve como é perigosa a seleção de conteúdos que chegam às pessoas, que se blindam de tudo que não concordam, ignorando os problemas da sociedade que não lhes afligem, o que acarreta em uma polarização ideológica e no comprometimento dos direitos de grupos minoritários. Paralelamente, os meios de comunicação seletivos proporcionados pelas redes sociais criaram o ambiente perfeito para a produção e disseminação de notícias falsas, aumentando a alienação coletiva e prejudicando o debate democrático e imparcial.

Adicionalmente, no livro “Eichmann em Jerusalém: um retrato da banalidade do mal”, a autora Hannah Arendt elucida a banalização de discursos de ódio e ações preconceituosas quando há o respaldo de um grupo maior por trás, justamente o que ocorre em muitos fóruns em redes sociais. Nesses grupos, pessoas se reúnem com o intuito de propagar comentários racistas e xenofóbicos, além de apoiar membros com atitudes semelhantes, um sistema de retroalimentação da intolerância e perpetuação da desigualdade.

Portanto, para alcançar um país mais consciente da realidade coletiva e menos intolerante, é preciso que a sociedade, por meio do policiamento do uso inapropriado das redes sociais, busque ativamente entender a pluralidade de questões que assolam a comunidade. Ademais, urge aos mediadores das plataformas virtuais que identifiquem e bloqueiem grupos que espalhem notícias falsas e opiniões preconceituosas, só assim para alcançar um Brasil em que o mal não foi banalizado.