Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais
Enviada em 18/10/2022
A famosa “Alegoria da Caverna”, de Platão, desenvolve a questão da aversão ao desconhecido, quando se encontra em uma situação de mudança. De modo semelhante à obra de Platão, as redes sociais intensificaram tal fenômeno, o chamado “Efeito bolha”, em que indivíduos com ideais semelhantes se agrupam e rejeitam quaisquer pensamentos divergentes. Esse alarmante problema é produto não só da alienação social, mas também do algoritmo digital.
Sob essa ótica, é válido compreender de que forma a abstração popular desenvolve o problema. Conforme o filósofo Michel Foucault, na sociedade moderna, muitos temas são negligenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Dessa forma, entende-se que, por exemplo, é vantajoso para grupos políticos a manutenção do apoio popular, para isso, filtram, ao máximo as informações direcionadas ao público-alvo, utilizando, também, de notícias falsas, frases descontextualizada e discursos de ódio. Isso, fruto da alienação social, promove uma sociedade cada vez mais dicotômica, ocasionando brigas, isolamento e aversão aos que divergem de um mesmo ponto de discussão.
De modo complementar, cabe entender como as novas tecnologias catalisam a criação de “aldeias ideológicas”. Em 2018, a redação do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) promoveu o debate sobre a manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet. Com isso, levantou-se o questionamento da maneira como o algoritmo das redes sociais intensificam o efeito-bolha. Isso ocorre devido a esse sistema funcionar de maneira singular — as plataformas sociais entregam apenas o que o telespectador consome e acredita. Assim, os usuários não são expostos à diversidade ideológica e se cercam, somente, de pessoas com os mesmo pensamentos, rejeitando a oposição.
Portanto, urge que o Governo Federal, com apoio do Ministério das Comunicações, promova a dissolução das “bolhas” ideológicas, por meio de propagandas, em canais televisivos e redes sociais, a respeito da manipulação e os perigos do algoritmo na formação individual, incentivando a população a expandir sua zona de abrangência, a fim de mitigar a problemática. Para que, feito isso, a sociedade consiga se libertar das “cavernas da ignorância” de Platão.