Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais

Enviada em 12/07/2022

O século XX foi alvo de grandes revoluções e tensões geopolíticas. A Guerra Fria segregou os países através da ideologia, a qual os adeptos a seguiam cegamente. Analogamente, no século XXI, ainda encontra-se raízes da polarização, à medida em que redes sociais, como Whatsapp e Facebook, reafirmam pensa-mentos ludibriosos e intolerantes. Dessa maneira, a escassez de interação com perspectiva divergentes alicerçada pela ausência de interesse do indivíduo configuram uma ameaça á democracia e acentuam as bolhas sociais.

Sob esse viés, ideias extremistas e radicalistas ganham força em um espaço coordenado por algorítimos. Dessa forma, as redes sociais seguem o raciocínio de Joseph Goebbels, ministro da propaganda na Alemanha Nazista, “Uma mentira dita mil vezes torna-se verdade”. Assim, o indivíduo ao obter um feed inundado de postagens que refletem apenas seu pensamento estimula a intolerância e as “fake news”, pois induz o cidadão a crer cada vez mais apenas na sua convicção e a confiar exclusivamente em fontes tendenciosas e notícias sensacionalistas.

Sob essa ótica, a democracia é duplamente afetada, ao passo que, além dos algorítimos restringir a interação entre diferentes culturas e pensamentos, ainda diminui o senso de coletividade. Desse modo, ainda no século XX, o planeta presenciou a tragédia do Nazismo, o qual buscou homogenizar um pensamento, e qualquer pessoa que fosse ou refletisse diferente do proposto estava sujeita ao extermínio. Destarte, a bolha social impossibilita a formação da empatia e o respeito pelo dissemelhante. Nesse cenário, a inteligência artificial sem reflexão humana apresenta-se nociva aos ideais democráticos.

Depreende-se, a urgência de conscientização dos usuários das redes sociais sobre os efeitos colaterais da unanimidade de seu feed. Cabe, portanto, ao Ministério da Educação, por intermédio de uma nova grade escolar, instituir a obrigatoriedade de debates que estimulem o contato de pensamentos, a fim de aniquilar premissas intolerantes. Além disso, cabe ao próprio indivíduo, questionar e refletir a cerca do que é visto na internet e buscar segundas opiniões, com o intuito de politizar-se. Isto posto, as raízes das atrocidades dos séculos passados apodrecerão no presente.