Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais
Enviada em 30/08/2022
A Constituição Federal de 1988 prevê, em seu artigo quinto, o acesso às informações públicas como inerente à todo cidadão brasileiro. Contudo, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática, quando observa-se o efeito bolha de informações, um problema que é agravado pelas redes sociais. Deste modo, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem tal quadro.
Em uma primeira análise, vale salientar a ausência de medidas governamentais que visem combater a problemática em questão. Nesse contexto, o efeito bolha tem restringido o acesso das pessoas à diversidade dos conteúdos, o que ressalta o seu potencial antidemocrático, uma vez que o conteúdo recomendado pelas redes sociais é definido pelo algoritmo. São impulsionadas apenas as publicações que renderão mais reações e que prenderão a atenção do usuário, baseado na relevância geral, fazendo com que, segundo a psicóloga Etienne Jake, a visão de mundo do usuário fique bem menos abrangente.
Ademais, de acordo com a professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Pollyana Ferrari, a formação das bolhas serve à manipulação, o que afeta até mesmo aspectos simples da vida, como o gosto musical. Tal afirmação comprova-se quando se avalia, por exemplo, o Spotify, um aplicativo de músicas cujo algoritmo é capaz de criar novas “playlists” similares às já existentes do usuário, prendendo sua atenção e fazendo com que ele consuma um conteúdo de sua própria bolha.
Portanto, nota-se a importância de solucionar a problemática em questão. Para isso, cabe ao Governo, em conjuntura com o Ministério da Educação, promover nas escolas debates e semanas culturais abertos para o público, com a finalidade de promover o choque cultural, a diversidade e o desenvolvimento do pensamento crítico. Dessa forma, irá se formar uma sociedade mais diversificada e fora da bolha.