Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais

Enviada em 29/08/2022

Em um de seus poemas, Carlos Drummond de Andrade cita: “Tinha uma pedra no meio do caminho”, metaforizando os desafios que impedem o pleno desenvolvimento do bem-estar social. Correlativamente, no Brasil hodierno, o efeito bolha provocado pelas redes sociais configura-se como obstáculo na conquista legítima do bem comum, uma vez que essa ação agrava a radicalização do pensamento social. A partir disso, é válido inferir que a lenta mudança de mentalidade da população, bem como a omissão governamental, estão entre as principais premissas agravantes desse queadro.

É inevitável, em primeiro aspecto, observar o pensamento retrógrado da comunidade que utilizam as plataformas para verificação de notícias falsas que agradem o leitor, fortificando sua bolha de pensamento. Sob essa ótica, cabe resgatar o “Princípio da Corresponsabilidade Inevitável”, do psiquiatra Augusto Cury, o qual revela que uma ação individual tem um impacto coletivo, ou seja, os indivíduos que não verificam informações e confiam nas redes sociais no geral, tendem a ser intolerantes com opiniões divergentes.

Outrossim, as autoridades públicas não têm dado a devida importância sobre esse assunto, já que há escassas tentativas, por parte desse órgão, de propugnar os direitos civis. Nesse sentido, de acordo com o filósofo Rousseau, o Contrato Social estabelecido entre instituiçoes públicas e privadas requer participação de ambos no combate a obstáculos sociais. Assim sendo, empresas de jornalismo, aliados ao Estado, devem criar políticas de desradicalização e tolerância de pensamento para a harmonia da nação.

Torna-se improtelável, portanto, desconstruir problemas e propor medidas solutivas. Em vista disso, cabe às ONGs de projetos comunitários, por meio das redes sociais - detentoras de maior abrangência nacional -, criarem ficções engajadas, com urgência, as quais divulguem a necessidade de verificar fatos e buscar informações divergentes. As ações supraditas têm o fito de reconstruir o senso crítico nos citadinos e ampliar o respeito entre opniões, obstruindo a polarização instalada no país em temas que cercam a vida comunitária. Somente assim será possível remover a “pedra do caminho” citada por Drummond.