Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais
Enviada em 30/08/2022
A série britânica ‘‘Black Mirror’’ é caracterizada por satirizar a forma de como a tecnologia pode afetar a humanidade. Em um de seus episódios, é retratado uma espécie de sistemas de avaliação social, onde as pessoas têm o poder de avaliar umas às outras através de uma pontuação por estrelas. Fora da ficção, os efeitos que as redes sociais trazem à sociedade contemporânea não estão muito distantes daqueles apresentados na série e podem comprometer o senso crítico da população brasileira. Por isso, torna-se necessário o debate acerca do efeito bolha que as redes sociais vêm criando na sociedade atual.
Por um lado, a busca da capitalização excessiva das grandes empresas da tecnologia se mostra como um fator contribuinte para a problemática, uma vez que essas companhias buscam desenvolver aplicativos que tragam conforto para o usuário, através de recomendações minuciosamente selecionadas, com o objetivo de manter o indivíduo preso na tela pela máximo de tempo possível, gerando lucro para a empresa. Ademais, a inserção de anúncios personalizados cria um ambiente monótono, onde a pessoa encontra-se inconscientemente presa em um loop de recomendações de conteúdos semelhantes a todo momento.
Por outro lado, a falta de conscientização da população sobre a existência de uma bolha digital também é um fator que contribui para o problema, já que as pessoas não imaginam que estão sendo induzidas à passar horas a finco na tela dos seus dispositivos, somente para que a indústria digital possa lucrar com isso. Sendo assim, o indivíduo se encontra em um ambiente sem uma real liberdade, aproximando-se à ideia da bolha social criada por Aristóteles.
Portanto, é necessário que o Estado tome providências para amenizar a problemática atual. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação (MEC) crie, através de verbas governamentais, propagandas publicitárias que mostram como é o funcionamento dos algoritmos real dos algoritmos das redes sociais, a fim de evitar a alienação da população, educando as pessoas a experimentarem conteúdos que não estejam necessariamente dentro daquilo que elas já estão acostumadas a consumir diariamente.