Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais

Enviada em 29/08/2022

A partir da Terceira Revolução Industrial, diversas tecnologias de comunicação passaram a compor a vida hodierna da população. No entanto, tais tecnologias, como as redes sociais, impactam negativamente a população na medida em que os mecanismos filtradores de conteúdo presentes nas mídias, corroboram para a restrição de informações disponíveis ao público, os quais permanecem presos em uma grande bolha sociocultural. Assim, faz-se necessário analisar a problemática.

Nesse contexto, é imprescindível observar que os usuários estão gradualmente mais expostos a um leque limitado de informações na internet, pois os algoritmos presentes nas plataformas selecionam os conteúdos com base no uso diário pessoal. De acordo com o teórico Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Sob essa ótica, verifica-se essa opressão ao passo que há uma análise do comportamento pessoal e restrição da liberdade de escolha do indivíduo pelo ambiente digital, com a imposição de conteúdos mais atrativos para consumo.

Por conseguinte, tais fronteiras impostas contribuem para formar indivíduos intolerantes, já que o usuário tende a consumir aquilo que lhe agrada. À vista disso, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Nessa lógica, surge outra causa para o empecilho: se o indivíduo não tem acesso a conteúdos diversos, sua perspectiva será limitada, o que contribui para a formação de falsas suposições aliadas a atitudes e pensamentos discriminatórios. Dessa forma, há um favorecimento da segmentação da comunidade virtual, e o atrito com o diferente.

Torna-se imperativo, então, alçar medidas ajam sobre o impasse. Para tanto, o Estado, por meio do Ministério da Educação, deve criar um plano educacional que vise alertar e elucidar a população quanto aos riscos da navegação na internet, e a necessidade de adaptação às novas plataformas digitais. Tal projeto deve promover palestras e oficinas sobre o uso da tecnologia, mediada por profissionais especializados na área com o objetivo de qualificar o cidadão e prevenir casos de manipulação de atitudes. Espera-se, assim, a construção de uma juventude responsável e dificilmente manipulada.