Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais

Enviada em 08/09/2022

O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito ao efeito bolha das redes sociais, principalmente em virtude da ignorância e do estímulo ao ódio.

Em primeira análise, a falta de conhecimento é um dificultador da questão. Arthur Schopenhauer, filósofo alemão, defendia que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Logo, ao permanecer em bolhas sociais que, em muitos casos, incentivam a repulsão ao diferente, estimula-se a desinformação e a consolidação de pensamentos e comportamentos a fim de nutrir o sentimento de pertencimento desses grupos.

Aliado a isso, destaca-se o ódio como instrumento explorado pelas redes sociais para atrair o consumo dos usuários. Em seu livro “Todos contra todos”, o historiador Leandro Karnal disserta sobre como o ódio é visioso, ao passo que proporciona certo conforto ao denegrir o diferente em virtude da valorização própria. Dessa forma, ao integrar bolhas agressivas que divulgam a repulsão ao diferente, os usuários tendem a reproduzir esse comportamento para se sentirem superiores aos alvos de contradição, consolidando um comportamento narcísico e intolerante, incompatível com o Estado Democrático de Direito e, ironicamente, contrário a proposta primordial das redes sociais: aumentar a sociabilidade e a integração dos indivíduos.

Portanto, é evidente que medidas devem ser tomadas para alterar esse cenário.

Assim, é preciso que o Ministério da Educação, em parceria com o Conselho Federal de Psicologia, desenvolva “workshops” em escolas de nível fundamental e médio, sobre os perigos do efeito bolha, a fim de desincentivar. Além disso, podem ser divulgados anúncios nas principais mídias sociais, custeados pelo Governo Federal, alertando os usuários sobre a existência desse perigo e ofertando dicas para evitá-lo. Com isso, espera-se uma melhora da realidade supracitada. Afinal, conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão simbólica.