Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais

Enviada em 08/10/2022

Em um dos episódios da famosa série Black Mirror, é retratada uma realidade na qual, ao utilizar um tipo de aparelho no rosto, o indivíduo é levado a uma outra dimensão. Nesse lugar, embora o corpo ainda esteja na vida real, é possível sentir amor, prazer, dor e, ademais, ódio. Fora da ficção, embora utópica, essa relação apresentada em Black Mirror não se distancia da realidade encontrada nas redes sociais, já que, pelo algoritmo digital, o usuário pode ser levado da sua maior preferência ao seu maior medo. Dessa forma, devem-se analisar as causas e as consequências do efeito bolha nas redes sociais.

Em primeira análise, nota-se que o mundo construído pelas mídias decorre, antes de tudo, da satisfação do usuário. Nesse sentido, visto que, uma vez na rede, a pessoa recebe o que mais lhe agrada e, assim, continua nela, cria-se uma bolha por meio da qual é excluída a diversidade de escolha, de opinião e, até mesmo, de ideologia política. A exemplificar, no livro “1984”, de George Orwell, o Grande Irmão centraliza o poder e passa a organizar tal lógica em nome do bem social. A partir disso, tudo o que é falado, escrito ou discutido precisa passar pela Polícia das Ideias, a fim de que a oposição seja exterminada em uma forma de controle do pensamento. Ademais, a manipulação nas redes sociais vem acontecendo em larga escala, de forma que, como ocorrera em Black Mirror, o indivíduo seja forçado a gostar de determinado conteúdo. Destarte, é necessário regularizar o algoritmo.

Consequentemente, nas eleições dos Estados Unidos de 2020, o uso das redes sociais, por exemplo, acentuou a crise política. Nessa perspectiva, os revoltosos invadiram o Capitólio americano e exigiram a recontagem dos votos. Evidentemente, esse fato mostra que, quando a bolha da mídia social passa à proporção real, o usuário tenta colocar em prática o que vira na rede. Dessa maneira, devem-se criar meios de proteger o indivíduo.

Portanto, por meio de sua jurisprudência, o Ministério da Ciência e Tecnologia - órgão garantidor das práticas científicas nacionais - deve regularizar o algoritmo, a fim de que práticas saudáveis sejam seguidas. Outrossim, o Governo deve criar campanhas que mostrem o perigo do uso excessivo das redes. Assim, será possível desconstruir, como nos EUA de 2020, o efeito bolha.