Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais
Enviada em 10/10/2022
“A televisão me deixou burro, muito burro demais”. O trecho da música “Televisão”, dos Titãs, reflete o descontentamento de um indivíduo que teve seu comportamen- to influenciado pela alta exposição ao dispositivo digital. Analogamente à citação, nos dias atuais, a internet tem impactado a vida dos usuários, por meio do acirra- mento do efeito bolha- responsável por inserir as pessoas em nichos, baseados em seus dados pessoais e preferências e, por trazer consequências negativas para a sociedade. Desse modo, faz-se necessário analisar os principais propulsores desse contexto hostil: a eficiência dos algoritmos digitais e a alienação da sociedade. Sob essa perspectiva, é válido destacar, a princípio, que a inteligência artificial usa- da pelas redes sociais tem evoluído rapidamente. Nesse sentido, nota-se que os algoritmos são capazes de coletar informações sobre os gostos e opiniões dos usuários e, assim, filtrar as publicações que serão visualizadas por cada perfil. Des- sa forma, as plataformas criam ambientes cada vez mais individualizados, que se- duzem os sujeitos, mas que diminuem a gama de conteúdos divergentes aos quais serão expostos. Essa seleção automática impede que os usuários entrem em con- tato com a diversidade de opiniões encontradas no mundo real e com as múltiplas informações veiculadas em sites de notícias imparciais. Com efeito, as bolhas são fortalecidas, os indivíduos veem apenas um recorte do mundo e se contactam exclusivamente com outros usuários alinhados aos seus pensamentos. Além disso, convém enfatizar que a alienação social potencializa essa conjuntura. Nessa lógica, segundo a “Atitude Blasé”, termo proposto pelo sociólogo Georg Simmel, o tecido social passa a agir com indiferença em meio às situações que ele deveria dar atenção. Seguindo essa linha de
pensamento, nota-se que a sociedade adotou essa “Atitude” frente ao efeito bolha, uma vez que os indivíduos aceitam passivamente a filtragem dos conteúdos pelas mídias digitais. Sendo assim, os usuários não adotam uma postura crítica em relação as redes sociais e, em parte, sentem-se confortáveis dentro das bolhas, pois os conteúdos são atraentes e há um espaço livre para a manifestação de ideias- incluindo opiniões radicais e preconceituosas.