Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais
Enviada em 18/10/2022
O episódio “Nosedive” da série televisiva Black Mirror relata a história de Lace, uma jovem que vive numa sociedade na qual a população avalia o comportamento dos cidadãos por meio de um programa que lhes atribui notas de popularidade e, por sua vez, culmina na instauração de divisões sociais. Concomitante a isso, no Brasil, torna-se crescente a preocupação com o aumento do efeito bolha decorrente do uso das redes sociais. Nessa perspectiva, as raízes do problema devem ser analisadas de imediato: a presença de algoritmos manipulativos que transgridem a liberdade e a disseminação de uma conduta social segregacionista.
Em primeira análise, é relevante postular que a liberdade é um bem de valor social. De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, dentre os direitos que asseguram o bem-estar e a dignidade da vida humana, está a liberdade, que garante ao homem o poder de decidir as escolhas e caminhos que compõem sua vida. Contudo, a realidade mostra-se justamente o oposto e o resultado desse contraste pode ser refletido no atual cenário, no qual os usuários das redes sociais têm sua liberdade privada devido a presença de algoritmos que interferem diretamente na autônomia intelectual e comportamental da população.
Ademais, segundo o sociólogo Zigmunt Bauman, autor de “Modernidade Líquida”, a falta de solidez nas atuais relações humanas conduz a transferência do ideal de melhoria como progresso coletivo para o de ascensão própria, fenômeno que intensifica uma conduta social segregacionista, que aparta a sociedade de acordo com os padrões cultivados pelas ferramentas manipulativas presentes nas redes sociais.
Em suma, os desafios relacionados ao efeito bolha são reflexos da postura social. Assim, medidas devem ser tomadas para contornar a situação. Urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC), por meio de verbas governamentais adequadas e profissionais qualificados, através de campanhas publicitárias nas redes sociais, conscientize a população quanto a presença e o mecanismo dos algoritmos nas ferramentas de comunicação e a instrua quanto aos formas de combater a segragação promovida por tal engenho, como a busca por novos pontos de vista, e a retomada da liberdade plena e crucial aos homens.