Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais

Enviada em 11/01/2023

O filme “Jimmy Bolha” narra a fantasiosa aventura de um jovem que vive isolado do mundo, apenas em seu quarto. Apesar de fictícia e irreal, o longa aborda de forma matafórica a problemática contemporânea de se viver em uma “bolha social”, empecilho real que, hoje em dia, é agravado pelas redes sociais. Desse modo, é necessário compreender o mal que o problema pode causar e suas origens, para que uma solução possa ser aplicada.

Nesse contexto, podemos afirmar que a Constituição Federal de 1988, que assegura fundamentalmente a democracia, não está sendo devidamente seguida, uma vez que a formação de bolhas sociais leva a formação de opiniões não baseadas em fatos, mas no contexto em que estão inseridas na “narrativa” do grupo. Isso leva a formação de uma percepção coletiva distorcida sobre política, economia, educação, entre outros temas. Tudo isso, pela escala que acontece devido as redes sociais, faz com que as pessoas tomem decisões cruéis e hostis, democraticamente, como a eleição de candidatos despreparados e perpetuem a demagogia da falácia, que estimula o ódio e prejudica minorias sociais.

Historicamente, as “panelinhas” sempre existiram. Exemplos disso são as escolas acadêmicas opostas do jusnaturalismo e juspositivismo. O problema não está no fato de pessoas se reunirem para trocar ideias, como ocorria na Ágora, em Atenas, na Grécia, mas na espécie de conteúdo que propagam e na escala que tudo isso ocorre. Tal conteúdo é fruto de falta de instrução e se materializa em fake news, notícias extremamente tendenciosas e opiniões carregadas de preconceitos e construções culturais arcaicas.

Diante o exposto, pode-se afirmar que a formação de “bolhas sociais” só se torna um problema quando esta distorce a realidade para os integrantes. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Educação a criação de campanhas de conscientiza-ção, que devem ocorrer por meio de palestras ministradas por intelectuais e acadêmicos experientes no assunto, nas escolas de ensino médio e faculdades. Isso deve contribuir para a desconstrução de uma mentalidade antiquadra e permitir que as “panelinhas” online continuem existindo, mas que se nutram de informações verdadeiras e relevantes.