Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais

Enviada em 03/08/2023

Na obra “Utopia” do filósofo Thomas Hobbes é retratada uma sociedade caracterizada pela ausência de problemas e conflitos, onde todos são iguais em dignidade e direitos. No entanto, fora da ficção, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que há o agravamento do efeito bolha causado pelas redes sociais, ocasionando o monitoramento e personalização de informações para o usuário. Sob esse viés, os algoritmos das plataformas sociais e a falta de debates contribuem com o problema.

Diante do contexto apresentado, segundo o filósofo Milton Santos " o mundo inteiro é globalizado, mas a globalização não chega em todos os lugares." De acordo com o Instituto Brasileiro Geográfico de Estatística (IBGE) 70% dos cidadãos utilizam as mídias sociais como veículo para acesso à informação. Sob tal premissa, os algoritmos das redes sociais são responsáveis por analisar a atividade de cada usuário e oferecer publicações semelhantes ao conteúdo com o qual eles já interagiram. Entretanto, com o tempo, esses algoritmos acabam filtrando os conteúdos mostrados de modo que o usuário só tenha acesso a materiais que tratam de um determinado assunto ou ponto de vista, tornando mais difícil o acesso a informações diversificadas e variadas, restringindo o acesso e ocasionando um efeito bolha.

Ademais, o isolamento e afastamento de ideias divergentes gera uma falsa ideia de debate, já que a diversidade de pensamentos é inexistente. De acordo com o G1 os usuários apenas estão interagindo com ideologias alinhadas a suas visões e acabam por excluir a participação de quem tem pensamentos contrários.

Portanto, cabe ao Governo Federal, com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação fazer com que as redes sociais tenham um “feed” cronológico, através de um projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, a fim de promover a pluralidade dos conteúdos que são exibidos aos usuários nas mídias digitais. Por fim, urge que o Ministério da Educação propor o diálogo, por meio de debates nas aulas de Sociologia, com o fito de formar cidadãos mais tolerantes a opiniões contrárias.