Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais
Enviada em 31/10/2023
A obra cinematográfica “Ron Bugado”, disponibilizada pela “Disney”, retrata o processo de alienação das massas ao exposto nas redes sociais, que culmina na segregação de grupos com posicionamentos divergentes. Para além do ficcional, a realidade faz-se semelhante, na medida em que o pensar crítico encontra-se em declínio em detrimento dos avanços das mídias na sociedade contemporânea. Nessa perspectiva, faz-se necessário analisar os alicerces que sustentam esse estigma: a omissão estatal e a banalização civil.
Convém ressaltar, a princípio, a inércia das autoridades competentes como fomentadora da adversidade. Sob esse prisma, o filósofo inglês Thomas Hobbes defende a incumbência do Estado em proporcionar meios que auxiliem o progresso da coletividade. Todavia, tal concepção não é contemplada na conjuntura hodierna, uma vez que o aumento das tecnologias na rotina dos cidadãos traz como consequência a grave polarização na sociedade de indivíduos que possuem ideologias distintas, o que pode resultar em ataques morais entre esses opostos. Sendo assim, é nítida a inoperância estatal ao não combater tal segregação e ao não disseminar a importância da diversidade nos âmbitos de convivência.
Ademais, é imprescindível destacar a postura de exclusão adotada pelos usuários como propulsora do entrave. Nesse sentido, a filósofa alemã Hanna Arendt afirma em seu conceito de “Banalidade do Mal”, que a maldade é neutralizada em decorrência da ausência do exercício de pensar. Concordante à pensadora, tal panorama se dá pelo fato de que o corpo social, ao não refletir a relevância que as ideias diferentes defendidas por outros usuários exercem, acaba por gerar uma barreira entre os diálogos que deveriam ser construtivos, o que acarreta nos conflitos e hostilidades propagadas nos meios de comunicação. Dessa maneira, tal conduta precisa ser revertida.
Em suma, é primordial a tomada de medidas atenuantes à problemática do efeito bolha agravado pelas redes sociais. Logo, é fundamental que o Ministério da Cidadania atue com a elaboração de políticas públicas, sendo estas responsáveis por minimizar os impactos da influência midiática.