Efeitos da poluição ambiental na saúde
Enviada em 17/04/2020
Na teoria “A Sociedade do Risco”, o sociólogo alemão Ulrich Beck oferece, no ensaio de 1986, uma análise ubíqua aos indivíduos, argumentando que, no século XXI, o pensamento futurista, circunscrito pelos riscos que os avanços tecnológicos incitam, sobretudo, em vieses ambientais, pousa à população. Analogamente a tal Sociedade, a crítica de Beck é posta em voga, hoje, mormente, em face dos efeitos da poluição ambiental na saúde humana. Dessarte, é lícito apontar a dissonância da ética existencialista como a principal razão da problemática, a qual promove consequências nefastas à espécie.
De início, é imperioso depreender-se da ética existencialista. Para tanto, é ímpar evocar Jean-Paul-Sartre, o preconizador, nessa corrente ideológica, da noção “o inferno são os outros”. Em suma, mediante essa frase, Sartre compreende que é inerente às pessoas outorgar suas responsabilidades às outras, estabelecendo uma “batata quente”, porém, ele pregam que deve-se divergir de tal prática, o que consolida, assim, a ética existencial. Sob esse prisma, considerando que, muitas vezes, a poluição ambiental emana das ações dos indivíduos, afirma-se que a realidade atual confronta tal ética e corrobora a “batata quente” sartriana, de modo a acentuar, fatalmente, o problema.
Por conseguinte, enquanto essa atitude geral perdurar, a humanidade, potencialmente, é posta em risco. Isso porquanto, caso a poluição mantiver-se até 2050, o Brasil estará - devido às atitudes individuais - diante de consequências infelizes tanto geograficamente, quanto socialmente, segundo o projeto “Brasil” 2050. Nesse, de pesquisadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), prevê-se que o panorama brasileiro estender-se-á à ótica global, traduzindo-se, por exemplo, na necessidade de êxodo, em especial, das áreas temperadas. Esse contexto se configura como um escape da população, pois, devido aos problemas de pele, à insolação, à desidratação constante e, também, à fome, visto que o plantio torna-se comprometido, viver em tais locais é inconcebível àqueles que pretendem enfrentar 2050.
Portanto, infere-se que, visto a intempestividade dessa conjuntura, é necessário reiterar a ética sartriana à população mundial para se desvencilhar das mazelas da poluição. Para isso, compete à ONU, em parceira com a OMS, o dever de criar e divulgar campanhas - com perspectivas da área da saúde -, as quais mostrem à sociedade os efeitos da permanência de hábitos que acentuam a poluição, por meio das vias midiáticas, a fim de divergir das intempéries da problemática. Destarte, observar-se-ia uma sociedade, decerto, consoante à de Beck, a qual possui, intrinsecamente, olhares ambientais ao futuro, evitando, assim, a “batata quente” de responsabilidades de Jean-Paul-Sartre.