Efeitos da poluição ambiental na saúde
Enviada em 02/12/2020
Segundo o pesquisador brasileiro Leonardo Boff, define-se “ecologia social” como uma interação harmônica entre a natureza e a sociedade. Entretanto, percebe-se que esse conceito não tangencia o que é representado no tecido social, visto que a população carece de qualidade do ar, da água e por conseguinte, qualidade de vida. Esse cenário ocorre devido ao pensamento antropocentrista que discorre no imaginário coletivo, bem como a lógica consumista que fomenta à população a agredir a natureza e consequentemente a si mesmo. Logo, faz-se imperiosa a análise dessa conjuntura, com o intuito de mitigar tal problemática de saúde pública.
Em primeira análise, é evidente que o pensamento antropocentrista distorce a relação de harmonia com a natureza, devido a interação hierárquica destrutiva para as outras formas de vida. Conforme o ilustrador britânico Steve Cuts, em seu curta-metragem " Man" revela como o ser humano degrada o ecossistema, poluindo rios e mares e levando espécies a extinção. Sob essa ótica, analisa-se que o indivíduo não se sente parte da natureza como unidade, como espécie que faz parte da teia alimentar - conceito ecológico de relação alimentar entre os seres vivos - e que sua omissão gera prejuízos para a própria humanidade, sobretudo na saúde. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, mais de 91% da população vive em ambientes com baixa qualidade do ar, tais dados estatísticos retratam no quanto o pensamento de superioridade humana gera o próprio genocídio da espécie.
Ademais, a lógica consumista incentivada pelo sistema capitalista, produz mais poluição e por consequência mais danos a saúde pública. De acordo com o pesquisador brasileiro, ativista e indígena Ailton Krenak, a lógica consumista é vetor primordial para o aumento do desequilíbrio ecológico do planeta. Tal afirmação, demonstra que o consumismo gera danos ao meio ambiente e paralelamente à humanidade, visto que ela faz parte da comunidade ecológica. Segundo dados do IBGE, mais de 50% da poluição e contaminação do ar e da água é oriunda de efluentes industriais. Ou seja, a lógica produtivista contamina recursos naturais que acabam por gerar diversas patologias e má qualidade de vida para a população.
Considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a situação. Dessa forma, é imperativo que o Ministério do Meio Ambiente, promova tratamentos mais tecnológicos de efluentes que não eliminem nenhum contaminante na atmosfera, e nem em bacias hidrográficas. Além disso, é inadiável que o Ministério da Educação, por meio de palestras, elucide a população para os danos da lógica consumista com o meio ambiente. Feito isso, a “ecologia social” será uma realidade e os males causados pela poluição serão instintos, ao invés da humanidade.