Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 14/05/2018
Na séria americana “Os Treze Porquês “, Anna Baker – protagonista – sofre agressões físicas e verbais, sistematicamente, na escola em que frequenta e tem sua vida destruída. Apesar de se tratar de uma ficção, a serie retrata uma realidade comum nas escolas em todo o mundo e que vem sendo pauta de discussão: a prática do bullying. O tema, difundido e estudado pelo professor Dan Olweus, tem raízes na falta de desvelo da família, escola e Estado na educação dos jovens.
É importante ressaltar, primeiramente, a tardia preocupação do Estado com a temática se comparada ao mundo. Enquanto em outros países o assunto é discutido há 25 anos – como é o caso dos Estados Unidos – no Brasil, a verdadeira preocupação só chegou às instituições brasileiras em 2016, ano em que a prática do bullying foi criminalizada. Como consequência desse processo, a histórica escassez de políticas públicas abre espaço para que as desigualdades e os estereótipos criados ao longo do tempo pela sociedade e impostos aos indivíduos, permitam a manutenção da prática. Tal realidade, em consonância com a teoria do Super Homem de Nietzsche, mostra a necessidade da sociedade em superar os valores e padrões impostos no passado.
Cabe lembrar, ainda, que, segundo especialista ouvidos em um estudo realizado pela ONG Plan, a falta de cuidado da Família e da Escola com as crianças é fator preponderante para a continuidade das agressões. O ciclo geracional da violência em que os jovens são expostos no ambienta familiar, nas escolas e na mídia – principalmente TV e internet – influência a perpetuação das práticas, pelos agressores, que reproduzem o que vivenciam no seu cotidiano. As consequências desse processo são devastadoras, passando de baixo estima, depressão e queda de rendimento escolar até, nos casos mais extremos, suicídio.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de se discutir a questão e o papel da escola, família e Estado no combate à problemática. Convém, portanto, que, o Estado, por meio da Secretária Estadual de Educação, efetive um plano de combate ao bullying nas escolas assim como acontece em países como a Finlândia, em que ações educativas, em conjunto com as famílias, são tomadas entre os agressores e as vítimas garantindo conscientização e prevenção. Ademais, é dever da família, por meio da educação, discutir e ensinar os filhos sobre a periculosidade da prática, promovendo senso crítico. Sob tal perspectiva, poder-se-á diminuir esse problema no país.