Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 21/05/2018
Na obra cinematográfica “Depois de Lúcia”, o bullying é o principal viés do filme. Alejandra passa a frequentar uma nova escola, após o falecimento de sua mãe, o que representava para ela um novo começo resulta no palco das maiores atrocidades. Ao ser divulgado um vídeo em que ela se relaciona com um garoto, as barbáries começam, propiciando a decadência da jovem. Fora das telas, o bullying é muito propagado, ora motivado pela desestruturação familiar, ora pelo individualismo característico da sociedade atual.
Partindo dessa concepção, a família constitui o pilar para a formação ética e cidadã de uma criança, a partir do momento que a família não desempenha esse papel de forma correta, a criança não desenvolve uma personalidade saudável, vindo a tornar-se um “bullies”. Segundo a teoria da tábula rasa de John Locke, “O ser humano é como uma tela em branco que é preenchida por experiências e influências”. Com base nisso, a criança é o reflexo da sua instituição familiar, caso haja muitos desentendimentos, discussões; ela reflete esses comportamentos nas suas ações, tornando-se um possível agressor, uma vez que no seu lar, atos como esses são tidos como normais.
Além disso, o individualismo acentuado atualmente reforça as práticas de agressão. Com razões no iluminismo, tem se na contemporaneidade uma sociedade individualista, incapaz de enxergar o outro, respeitá-lo e acolhê-lo. Os constantes casos noticiados, como o de Wellyngton, conhecido pela “tragédia de realengo”, evidenciam as consequências que uma agressão praticada ainda na infância pode refletir na vida adulta de alguém e o sentimento individualista, uma vez que ele reproduziu os mesmos atos que sofreu visando ser “ressarcido” de alguma forma. Atitudes como essas reafirmam o conceito de solidariedade orgânica, em que as relações interpessoais são altamente frágeis e diluídas, a medida em que não se há empatia e harmonia entre as pessoas na contemporaneidade.
É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para a resolução do impasse. As instituições educacionais aliadas às famílias devem atentar-se aos comportamentos tanto referentes aos agressores quanto às vítimas, já que cada um nas suas particularidades devem ser assistidos, promovendo encontros, palestras com psicólogos, afim de que o problema seja remediado ainda no início, para que não haja consequências futuras. A escola deve, ainda, promover passeios, projetos que envolvam os alunos e os unam, com o propósito de desenvolverem um contato social mais consolidado e relações de afeto mais duradouras, visando assim eliminar qualquer vestígio individualista que seja a base do bullying. Ações como essas podem evitar que novos “Wellngtons” surjam e transformem suas vidas motivados por agressões na infância.