Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 31/05/2018
No célebre romance “O Ateneu”, do século XX, do escritor brasileiro Raul Pompéia, observa-se as hostilidades características do ambiente escolar, no qual se estabeleciam relações de poder que implicavam práticas opressivas. Nesse contexto, infelizmente, tal literatura mostra-se mais atual do que nunca, haja vista a problemática relacionada ao Bullying, muito em voga no âmbito escolar do país. Nesse sentido, convém analisar as vertentes que englobam tal empecilho para o desenvolvimento estudantil.
Em primeiro plano, é indubitável que as escolas representam um meio social onde as diferenças são mais perceptíveis, sendo compostas por muitos indivíduos que não estão em consonância com a homogenização dos padrões sociais prestigiados. Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, o individualismo é uma das principais características da pós-modernidade, e, consequentemente, parcela da população tende a ser incapaz de tolerar diferenças. De fato, o convívio cotidiano de jovens naturalmente distintos, seja pelos aspectos sociais, seja pelos econômicos em um mesmo ambiente de formação, torna-se precursora da submissão de alguns grupos, o que ocorre por meio de agressões físicas, como também de xingamentos, prejudicando o desempenho escolar e futuro do indivíduo.
Outrossim, vale ressaltar que a fragilidade do meio escolar, em decorrência da falta de preparo das instituições educacionais, corrobora para a não atenuação das práticas de Bullying. Nesse viés, Paulo Freire, educador brasileiro, já defendia uma educação para uma “cultura de paz”, baseada na conscientização e na tolerância. Entretanto, a escola, ambiente social responsável pela formação ética e coletiva dos indivíduos acaba, por vezes, tratando casos de agressões e desavenças entre os alunos de forma particular e punitiva, não exercendo continuidade e acompanhamento de tais casos, o que resolve o problema de forma superficial e não trata os problemas psicológicos dos alunos acometidos.
Para que se amenize esse cenário problemático, portanto, fica a cargo do Ministério da Educação implementar à base curricular obrigatória do Ensino Infantil, atividades que exploram essa temática de maneira lúdica, por meio de peças de teatro e da leitura de quadrinhos como “A turma da Mônica, para que o aluno desde a formação, tenha consolidado um pensamento crítico acerca do assunto e não venha a cometer tais crueldades posteriormente. É imprescindível ainda, uma orientação adequada a professores e aos diversos profissionais que atuam cotidianamente no ambiente escolar, objetivando instrui-los sobre essa conjuntura, por meio de psicólogos e coordenadores especialistas no assunto, a fim de capacitar o ambiente escolar para lidar melhor com tais circunstancias, pois como afirmava o escritor José Saramago, “Se podes olhar vê, se podes ver, repare!”.