Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 04/06/2018

Desde o iluminismo, compreende-se que todos os seres humanos dispõem de direitos básicos igualitários. Não obstante, ao analisar o cenário recorrente de bullying no tecido social brasileiro, percebe-se que tal ideal existe, integralmente, apenas na teoria conforme prevê a Constituição Federal de 1988, já na prática trata-se de uma utopia. Haja vista, a cultura familiar em consonância com o modelo de educação brasileira.

Concernente a teoria da evolução de Lamarck, o ambiente modifica o ser. De maneira análoga, o âmbito familiar influência as atitudes de um indivíduo. Posto isso, é indubitável a contribuição das famílias na  ocorrência do bullying, porquanto, nos lares brasileiros a agressão é frequentemente usada para educar, como aponta a pesquisa, publicada no site Eu sem fronteiras, mais de 50% das crianças entrevistadas já apanharam em casa. Logo, jovens inseridos nesse contexto transferem a violência para o convívio social e tornam-se possíveis agressores ao longo da vida. Outrossim, índices mostram que a maioria das vítimas não falam sobre o assunto com os parentes dado a falta de dialogo, o que dificulta a identificação do empasse. Dessa forma, a problemática perpetua-se na realidade do país.

Ademais, o despreparo de grande parte das escolas brasileiras para lidar com o bullying é mais um motivo para sua persistência. De acordo com o filósofo Immanuel Kant, a educação deve disciplinar e instruir o homem, de forma que o torne capaz de compreender e cumprir a lei moral, assim alcançará sua liberdade e a plenitude da vida. Porém, o sistema educacional banaliza o ensinamento a justiça, bem como, não aplica formas de prevenção a violência e as poucas vezes que é relatada nenhuma inciativa é tomada. Prova disso é que maior parte dos casos (21%) ocorrem nas salas de aula na presença de professores, segundo G1. Por conseguinte, além dos direitos a liberdade e segurança serem violados, tragédias similares a de Realengo (RJ) - na qual um aluno, motivado pelos maus tratos que sofria dos colegas, matou 12 adolescentes e depois se suicidou - são mais constantes.

Infere-se, portanto, a necessidade de medidas para solucionar o bullying. Destarte, o poder público e a rede privada de ensino precisam destinar maior investimento para a contratação de profissionais da saúde mental e a capacitação dos professores para lidar com o problema para que assim, o Ministério da Educação (MEC) institua um paradigma educacional que a instrução moral e o combate ao bullying seja realidade através de atendimentos psicológicos para os estudantes, atividades integradoras entre os alunos, palestras, ministradas por especialistas, abertas para toda comunidade escolar e punição para os agressores a fim de conscientizar a sociedade e incentiva o dialogo nas famílias. Só assim o ideal iluminista supracitado deixará de ser uma utopia.