Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 05/06/2018

De acordo com o humanista Nelson Mandela, a educação é a maior arma que se pode usar para mudar o mundo. Entretanto, os empecilhos das constantes práticas de bullying nas escolas, seja pelo despreparo das instituições escolares, seja pela permanência de ideologias preconceituosas, fragilizam  o papel primordial da educação no desenvolvimento dos jovens e adolescentes da sociedade. Assim, deve-se discutir as vertentes que englobam essa inadmissível realidade em nosso país.

Em uma primeira análise, é indubitável que as raízes culturais e históricas da sociedade em não aceitar as diferenças dos indivíduos estejam entre as causas do bullying. Sob o prisma do filósofo Focault, “normal” seria tudo que esta dentro das normas sociais, já “anormal”, tudo aquilo que é marginalizado, sendo assim, tudo que foge dos padrões é perseguido. Nessa perspectiva, a escola, por representar um meio social em que as diversidades são mais perceptíveis, muitos jovens ‘‘anormais", com comportamentos diferentes, como o modo de se vestir ou identidade de gênero são alvos constantes de humilhação, intimidação e discriminação, o que repercute no processo de socialização e desenvolvimento desses.

Outrossim, é factível que a falta de flexibilidade e desvelo das escolas em atenuar atitudes de bullying, contribuem para a persistência dessa problemática. Em consonância com o sociólogo Émile Durkheim, os indivíduos são determinados pelo meio em que vivem. Sob essa ângulo, muitas instituições educacionais, sem mecanismos flexíveis necessários no amparo aos alunos, tendem a solucionar as práticas de bullying de forma individual e punitiva, em detrimento de ações de acompanhamentos e continuidade no ambiente escolar, o que ratifica um tecido escolar que facilita a influência dessas práticas. Nesse viés, as instituições educacionais deixam de representar um papel de segurança e confiança no desenvolvimento ético e moral dos jovens e adolescentes.

Dessa forma, portanto, diretrizes são necessárias para atenuar essa problemática. Assim, cabe as escolas uma reformulação em sua estrutura, à começar implantando ao Ensino Infantil uma didática que enfatize a convivência com as diferenças, por meio de livros e filmes infantis educativos relacionado a esse contexto, bem como ao Ensino Fundamental, trabalhos e debates em que os alunos possam compartilhar histórias de vida e sentimentos, a fim de desde o início da formação do pensamento, o aluno aprenda a viver em coletivo. Concomitantemente, comete ao poder público em paralelo com o Ministério da Educação, qualificar efetivamente profissionais, pedagogos e psicólogos que possam amparar de forma resiliente os jovens e adolescentes de diversas maneiras.