Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 03/06/2018
A Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada em 1948 pela ONU, garante que ninguém será submetido à tortura. No entanto, os frequentes casos de bullying mostram que os indivíduos ainda não experimentaram esse direito na prática, visto que, todos os dias, diversos indivíduos são submetidos a repetidas situações de violência, física ou psicológica, motivadas pela intimidação sistemática. Com efeito, deve-se analisar o papel da família e da escola nesse processo.
É primordial ressaltar, primeiramente, que a ausência familiar no processo educacional dos filhos é a principal causa da ocorrência das práticas de bullying. Isso porque, de acordo com Zygmund Bauman, importante sociólogo polonês, as relações humanas na contemporaneidade são pautadas pelo individualismo. Nesse contexto, percebe-se que os indivíduos estão cada vez mais preocupados em obterem êxitos profissionais, o que faz com que grande parte das pessoas dediquem mais tempo no trabalho e deixem os filhos em segundo plano. Em consequência disso, as crianças criam um sentimento de autoridade e independência que reflete em um comportamento impulsivo, podendo, muitas das vezes, torná-las agressivas e intolerantes.
Sob outro ângulo, a omissão escolar corrobora com a persistência do problema. Isso se justifica pelo atual método pedagógico vigente, pois é dada mais ênfase às matérias que caem em provas do que no ensinamento de valores que podem melhorar o convívio coletivo. Dessa forma, concomitantemente ao pensamento de Platão, o qual dizia que o mais alto nível da educação é a tolerância, a ausência de certos valores – como o respeito e a empatia – faz com que os agressores apresentem comportamentos preconceituosos e intimidadores. Diante disso, possivelmente, as vítimas desenvolvem transtornos psicológicos, como a baixa autoestima, ansiedade e a depressão, podendo, em casos mais extremos, levá-las a cometerem suicídio.
Evidencia-se, portanto, que a intimidação sistemática é um problema social que precisa ser combatida, a fim de garantir os direitos básicos dos indivíduos. Assim sendo, faz-se necessário que haja uma ação conjunta entre a família e as instituições de ensino, com o intuito de dar suporte às vítimas e também aos agressores, para que o impasse seja resolvido definitivamente. Cabe ao Ministério da Educação planejar projetos pedagógicos nas escolas, por meio de debates e palestras que sejam apresentadas aos pais e alunos. É imprescindível a presença de profissionais qualificados, como psicólogos e pedagogos, que abordem, principalmente, a temática dos valores éticos e morais, objetivando melhorar o convívio das pessoas através da educação, afinal, como dizia Kant, o indivíduo é aquilo que a educação faz dele.