Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 02/08/2018
Carlos Drummond de Andrade já dizia: “Ninguém é igual a ninguém. Todo ser humano é um estranho ímpar”. A frase do poeta evidencia que todos são diferentes de alguma forma. Porém, muitas crianças e adolescentes tornam-se vítimas de bullying porque não se encaixam no esteriótipo social. Dessa forma, é válido analisar tal prática dentro das escolas brasileiras, tanto suas causas quanto efeitos, a fim de evitar que os jovens cresçam adultos antissociais e com distúrbios psicológicos.
O bullying é qualquer tipo de agressão intencional, podendo ser física e/ou verbal, de forma repetitiva. Segundo dados do PISA de 2015, um em cada dez estudantes é vítima desse ato. As agressões ocorrem no âmbito escolar e envolvem três protagonistas: alvo, autor e espectador. Este presencia os atos e com medo de ser o próximo, permanece inerte a situação enquanto o alvo, normalmente, apresenta alguma característica fora dos padrões - seja física, mental ou sexual. Diante da coação, a vítima não consegue se defender, levando-o a desenvolver problemas psicossociais como: ansiedade, medo excessivo, queda no rendimento escolar e em casos mais graves - necessidade de vingança e suicídio. Prova disso, foi o massacre de Realengo (2011), no Rio de Janeiro, onde o ex aluno Wellington atirou em vários estudantes, responsabilizando todos dentro da escola pelo bullying que sofreu, logo após o ato se matou.
John Locke, em sua teoria da tabula rasa, afirma que o ser humano é uma tela em branco que é preenchida por experiências e influências. Nesse contexto, as práticas adotadas pelo autor do bullying pode ter origem no cotidianos da sua família, onde a criança ou adolescente perpetua o comportamento abusivo e agressivo presente no lar. Em função disso, de acordo com estudos da Universidade do Texas - EUA, o estresse emocional gera alterações hormonais nos neurotransmissores, o que culmina em futuros adultos agressivos. Para tanto, é importante que os pais e responsáveis reconheçam a função social que exercem na vida do estudante e administrem de forma benéfica as relações em casa. Logo, as instituições de ensino devem estimular o convívio saudável entre os jovens - o uso de assembleia de classe, já presente em algumas escolas do sul do país, é um meio que incentiva a conversa e debate entre alunos da mesma sala sobre comportamentos prejudiciais uns aos outros dentro do ambiente escolar; onde será resolvido e mediado pelo professor responsável. Não obstante a isso, aquele que praticar ou sofrer bullying deve ser acompanhado por profissionais, como psicólogos e pedagogos,ação conjunta do Estado com Clínicas particulares especializadas em comportamento estudantil, juntamente com a família, a fim de tratar a causa e consequência de tal ação na vida dos indivíduos garantindo assim, um crescimento saudável e sem riscos posteriores.