Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 14/06/2018

Nas sociedades contemporâneas, segundo Zygmunt Bauman, observa-se o fenômeno da modernidade líquida, caracterizado pela liquidez das relações sociais. É nesse cenário que se insere a prática do bullying no Brasil, reflexo do despreparo familiar e escolar para lidar com tal problemática, bem como da ineficiência legislativa do país, a qual traz sérias consequências para as vítimas.

Nesse contexto, é indubitável que a escassez de diálogo no ambiente escolar e familiar esteja entre as causas dessa mazela social. Prova disso, é que crianças e adolescentes normalmente não se sentem a vontade para compartilhar os preconceitos e agressões que sofrem dos seus colegas com os seus pais e professores pela falta de abertura dos mesmos, o que foi retratado pelo seriado “Os treze porquês”. Ademais, a falta de orientação moral dos jovens pela ausência dessas instituições sociais norteadoras, também propicia o desenvolvimento de preconcepções nos primeiros, a exemplo da homofobia, uma das grandes responsáveis pelo alto índice de bullying no Brasil.

Outrossim, a ineficiente aplicatividade da legislação antibullying no país contribui para o agravamento de tal quadro. Assim, embora aprovada, em 2015, a lei Antibullying pelo Congresso Nacional, o não envio dos relatórios bimestrais por estados e municípios da prática dessas agressões para os órgãos responsáveis, previstos na lei, a fim de mapear a sua ocorrência, demonstra o baixo desempenho de setores públicos no combate a essa problemática. Com reflexo disso, observa-se a impunidade dos agressores para o desespero das vítimas que acabam desenvolvendo problemas psicossomáticos, como a depressão e a ansiedade.

Diante disso, a prática do bullying no Brasil relaciona-se a questões sociais e legislativas fazendo-se necessário para seu combate o estímulo do diálogo entre os jovens dentro de suas famílias e na escola por meio da criação de rodas de conversas entre os pais, professores e alunos no ambiente educacional pelas Secretarias de Educação a fim de desenvolver laços sólidos entre os mesmos e facilitar a identificação das agressões. É preciso, ainda, a exigência do Ministério da Educação do envio pelos estados e municípios dos relatórios bimestrais, previstos na lei, a fim de identificar as regiões mais frequentes e causas do bullying, direcionando as estratégias para sua resolução.