Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 13/06/2018
Diante das grandes questões que assolam o século XXI, o problema do Bullying representa um grande desafio à sociedade brasileira, uma vez que possui raízes históricas. O corpo social iniciado com os portugueses teve como premissa o evolucionismo social, assim o comportamento de estereotipação e exclusão dos indivíduos díspares dos padrões socialmente construídos são um dos alicerces das relações sociais brasileiras. Nesse caso, cabe um debate acerca de como estabelecer uma mudança concreta na direção oposta à violência física e simbólica imposta aos indivíduos destoantes de certos padrões normativos.
É patente a necessidade de se perceber que o Bullying não é um comportamento exclusivo da sociedade brasileira, muito pelo contrário, há relatos de sua ocorrência em todo mundo. Uma pesquisa realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU), apontou que metade das crianças e jovens do mundo sofrem algum tipo de violência física ou psicológica, motivada, em geral, por aparência física, gênero, orientação, etnia ou país de origem. O mais preocupante, contudo, é constatar que esse padrão comportamental pode ser observado em outros momentos históricos, como o da colonização americana, quando a convicção da superioridade europeia serviu de pano de fundo ao genocídio operado na América. Não há dúvidas, então, de que é recorrente e normatizado a eleição do que é bom e belo, ignorando a diversidade, fadando ao sofrimento os destoantes desse padrão.
Destaca-se, dentro desse contexto, o mito da ausência do preconceito no Brasil. Isso significa que ele existe e é base para o Bullying, sendo o Bullying escolar apenas uma faceta de uma sociedade que não reconhece sua multiplicidade. Como se não bastasse, percebe-se uma certa morosidade social e política, no que tange ao enfrentamento do Bullying, pois, somente em 2015 foi criado o Programa de Combate à Intimidação Sistemática do Bullying em todo território nacional. Em vista disso, percebe-se parcela significativa da população está em condição de impedimento de desenvolver plenamente suas potencialidades, haja vista que o Bullying os limita, em função das sequelas que ele deixa.
É determinante, então, que o poder público, criador da lei de enfrentamento ao Bullying, fiscalize e exija seu cumprimento, capacitando as escolas com cursos, debates, materiais e psicólogos para os alunos e funcionários afetados por esse comportamento. Deve, também, estimular a produção de ficções que trabalhem a temática, enfocando os danos psicológicos e físicos das vítimas, bem como expor as motivações que levam o agressor a praticá-lo. Por fim, deve criar uma campanha em rede aberta de televisão afim de problematizar o Bullying e conscientizar a sociedade à respeito de suas consequências e da relevância de se cultivar e praticar respeito e tolerância.