Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 07/07/2018

O escritor austríaco Stefan Zweig, ao refugiar-se no Brasil em meados do século XX, escreveu um livro ufanista cujo título é até hoje repetido: “Brasil, país do futuro”. No entanto, quando se observa a deficiência de medidas na luta contra o bullying na sociedade brasileira, hodiernamente, verifica-se que essa profecia é constatada na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste aposta a realidade do país. Nesse contexto, torna-se evidente os efeitos negativos das agressões no corpo social, bem como é preciso entender suas verdadeiras causas para solucionar esse impasse.

É indubitável que a questão constitucional e sua ineficiência impulsionam o problema. Apesar da existência de uma lei que proíbe a prática do bullying, é mister afirmar que a regra desamparada não muda a realidade, visto que é ineficiente a fiscalização e aplicação da mesma. Destarte, tal situação torna os grupos de minoria social mais expostos a agressões físicas e psicológicas — segundo dados do Programa Abrace os mais violentados são os homossexuais e os negros — e, posteriormente, levando a vítima ao desenvolvimento de distúrbios mentais, como a depressão.

Ademais, o advento da World Wide Web e da internet dá impulso a manifestações odiosas por meio do anonimato, sendo essas agressões tão passíveis de repreensão quanto as físicas. Assim, somando-se ainda a teoria machadiana do homem ser imoral, desprovido de virtudes e o pensamento determinista, em que o ser é produto do meio onde vive, uma sociedade violenta gera cidadãos violentos. Tal evidência é constatata nos dados da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), onde 70% dos jovens que praticam bullying nas escolas sofreram algum tipo de castigo físico anteriormente.

Conforme diz Newton, um corpo tende a permanecer em seu estado até que uma força atue sobre ele. Desse modo, a aplicação de uma força suficiente contra o percurso do bullying no Brasil é imprescindível e é um caminho para combate-lô. Outrossim, em parceria com o Ministério da Justiça, a Polícia Civil deve criar uma ouvidoria pública online para receber denúncias anônimas de atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, investigando e punindo os agressores de acordo com a lei, promovendo uma maior aplicação da mesma. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação deve instituir nas escolas, palestras e aulas, ministradas por professores e psicólogos que discutam a importância do respeito e as consequências da agressão, além de prestar auxílio psicológico as vítimas. Ademais, a Receita Federal, em parceria com o Ministério da Segurança Pública, deve investir em projetos que promovam a luta contra a cultura da violência e,consequentemente, do bullying. Assim, talvez, a profecia de Zweig torne-se realidade.