Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 07/08/2018
Após o holocausto, que foi responsável pela morte de seis milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial, a ONU promoveu a criação dos Direitos Humanos em uma digna tentativa de exterminar a violência e a intolerância contra grupos minoritários. No entanto, os inúmeros casos de bullying registrados no Brasil e as escassas políticas capazes de reverterem esse cenário, corroboram a persistência de uma cultura violenta e a deturpação de direitos básicos assegurados na Lei Máxima vigente. Desse modo, faz-se necessário discutir acerca de como a ausência de conformidade nos interesses coletivos e inexistência de uma legislação eficiente cooperam para o âmbito segregacionista que se manifesta através do bullying.
Mormente, em “O contrato social”, Rousseau condena os interesses particulares e individualistas e defende que a vontade geral deve prevalecer, visando o bem coletivo. Contudo, no que tange o bullying na sociedade brasileira, esse ideal sociológico não se permeia, uma vez que esses atos violentos e opressores têm suas raízes no preconceito, racismo e intolerâncias. Assim sendo, o exacerbado individualismo que domina a sociedade pós-moderna, e o pensamento etnocêntrico proveniente de tempos imemoriais, caracterizam-se como carros-chefe no que diz respeito à disseminação do bullying em diversos setores, causando danos irreversíveis. Um exemplo desses danos é o Massacre do Realengo, em que um homem invadiu um colégio e assassinou doze jovens. Mais tarde, foi divulgado pela imprensa que o assassino havia sido vítima de bullying durante a infância e adolescência.
Outrossim, a inexistência de leis capazes de garantir o progresso da nação é outro agente impulsionador da problemática em questão. Embora a Constituição Federal de 88 assegure o bem-estar social de todos os cidadãos, uma parcela da sociedade é marginalizada desse direito básico. Comprova-se isso ao analisar que uma em cada duas pessoas já foram vítimas de bullying - agredidas e violentadas - em algum momento de suas vidas, segundo dados da ONU. Tal realidade alarmante demonstra que a negligência do Poder Público - por não garantir na prática o que assegura teoricamente - compromete a segurança de número significativo da população.
Infere-se, portanto, que há entraves para a erradicação do bullying na conjuntura brasileira. As ONGs engajadas com a causa devem desconstruir preceitos errôneos que acarretam o bullying, por intermédio de palestras e interações lúdicas com todas as camadas da sociedade - uma vez que ações como estas detém enorme poder de mudança social - a fim de que os interesses coletivos se perpetuem. Ademais, a Câmara dos Deputados deve determinar o ato do bullying como crime hediondo, pois estes possuem severas punições, visando uma maior segurança de toda a sociedade.