Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 23/07/2018

Émile Durkheim, em sua teoria do organismo social, afirma que a sociedade pode ser comparada a um corpo biológico, uma vez que todas as partes devem estar em perfeita harmonia, a fim de garantir o seu bom funcionamento. Apesar disso, a prática do bullying rompe com a harmonia proposta por Durkheim na prática e, nesse contexto, a problemática representa um cenário desafiador na atualidade, seja pela insuficiência de leis, seja pelo receio em denunciar.

Em primeiro plano, Zygmunt Bauman afirma que algumas instituições, na era pós-moderna, configuram-se como ‘’zumbis’’. Dentro dessa lógica, cabe destacar que tais instituições perderam suas respectivas funções sociais, todavia, tentam manter-se a qualquer custo. De maneira análoga à metáfora do sociólogo, é possível observar que o Poder Judiciário – órgão responsável por fiscalizar as normas do país – mostra-se inobservante perante a lei nº 13.185/2015 – a qual criminaliza ações vinculadas a prática do bullying – e, dessa forma, acaba por colaborar com a continuidade dos atos sistemáticos de intimidação, sobretudo nas escolas, em razão das ineficazes punições aos transgressores, tornando, desse modo, as vítimas suscetíveis ao desenvolvimento de patologias, tal como a depressão.

De outra parte, Paulo Freire evidencia em seu livro, ‘’Pedagogia do Oprimido’’, a busca pela cultura de paz. Partindo desse pressuposto, percebe-se que diversos indivíduos hesitam em denunciar os casos de bullying sob a perspectiva de evitar conflitos, inclusive algumas instituições de ensino, as quais tentam suavizar e minimizar os fatos ocorridos e, sendo assim, o abandono das medidas cabíveis de queixa acaba por deixar os afetados pela prática do bullying vulneráveis ao temor de denúncia. Por conseguinte, a ação de omitir crimes acaba por deixar a vítima sob pena de graves riscos, a exemplo do isolamento social e do subsequente prejuízo à saúde mental.

Destarte, a problemática configura-se como um grave obstáculo social e, sendo assim, medidas são imperativas a fim de mitigar a questão. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas, elaborar ações que promovam a difusão da igualdade entre os educandos nas instituições de ensino, por meio de apresentações culturais e conteúdos em livros didáticos, com o fito de diminuir a prática do bullying entre os discentes e, quiçá, sob o viés lúdico, atenuar os efeitos provocados pelos atos transgressores. Dessa forma, poder-se-á ter uma sociedade mais justa e igualitária, com todos os setores em perfeita harmonia, conforme propunha Durkheim.