Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 04/08/2018
Nas histórias em quadrinhos da ‘‘Turma da Mônica’’, do escritor brasileiro Maurício de Souza, a protagonista Mônica é chamada por alguns de seus colegas de ‘‘baixinha,gorducha e dentuça’’. Esse quadro de intimidação, caracterizado por repetidas ameaças, insultos e humilhações, figura o quadro do bullying, que, de maneira análoga, infelizmente faz-se presente também na realidade social. Nesse contexto, é importante a análise de como esteriótipos físicos interferem negativamente nessa questão e trazem impactos psicológicos negativos para a minoria afetada.
Primeiramente, convém destacar como o padrão social de características físicas e comportamentais interfere nessa problemática. A princípio, essa intimidação parte de um desejo de autoafirmação do agressor, que se aproveita de características inerentes às vítimas - como porte físico ou mesmo aptidões que diferem do que a sociedade vê como ideal - para denegrir sua imagem e humilhá-la. Segundo o filósofo polonês Zygmunt Bauman, a modernidade é pautada por relações cada mais vez mais superficiais, a tese do autor também diz respeito à essa questão, pois mostra que cada vez menos há um preocupação - por parte do agressor, nesse caso - com o bem estar do próximo e com o valor da diferença.
Além disso, percebe-se que, infelizmente, essa intimidação, na maioria das vezes, resulta em consequências psicológicas negativas para a vítima. Segundo o médico brasileiro Dráuzio Varella, aqueles que sofreram com o bullying, tendem a apresentar um quadro de isolamento, redução do desempenho nas escolas e até mesmo uma tendência à depressão, levando, em casos mais extremos, ao suicídio. Outrossim, o sofrente pode apresentar comportamento violento no futuro como, por exemplo, o que aconteceu no Rio de Janeiro, em 2011, onde houve o massacre no bairro do Realengo; o agressor deixou relatos de que havia sofrido com essa prática na adolescência.
Portanto, diante dos efeitos negativos dessa ação na sociedade, medidas devem ser tomadas. A Escola - local em que mais acontece o bullying-, em parceria com as famílias, deve realizar uma intervenção mais ativa nessa questão, tanto nos agressores como nas vítimas. Na prática, essa remediação deve ocorrer por meio de palestras com profissionais da área da psicologia, envolvendo toda a comunidade escolar e a família. Além disso, a mídia deve reforçar, por meio de propagações midiáticas, que esteriótipos são ruins para a harmonia social e que corroboram a prática do bullying. Dessa forma, o quadro de intimidação constante sofrido por Mônica e por muitas outras vítimas será amenizado, e menos pessoas serão prejudicas pelas consequências sociais negativa dessa ação.