Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 06/08/2018
“O importante não é viver, é viver bem.” Atribuído a Platão, o adágio grego implica dizer que, em última análise, uma vida sem qualidade não é suficiente para a completude de um ser humano. Essa visão do filósofo, embora já milenar, parece bastante atual, em especial quando inserida no âmbito das discussões e fatos sociais, a exemplo da questão do Bullying.
Os casos de Bullying, em geral, têm relação com a dinâmica da vida escolar e por conseguinte afetam a qualidade de vida das vítimas. Nesse contexto, através da violência, principalmente psicológica, o agressor ataca de maneira constante um ou mais colegas de escola, em razão de diferenças físicas, de personalidade, crença etc. Não bastasse isso, o pior é que, para algumas pessoas, tudo “não passaria de brincadeira”, o que, além de ingênuo, chega a ser preocupante.
Outrossim, é importante lembrar, conforme a física Newtoniana, que toda ação corresponde a uma reação oposta e de igual intensidade. O problema é que, diferente da física, a reação ao Bullying, em geral, além de não ser de mesma intensidade, pode ter consequências avassaladoras. Nesse sentido, basta recordar, por exemplo, dos massacres de Columbine, em 1999, nos EUA ou Realengo, em 2011, no Brasil, ambos resultando em dezenas de mortos.
Além dos trágicos - e cada vez menos raros - massacres, é indubitável que o Bullying traz sérias consequências à vida particular do indivíduo e de suas famílias. Nessa perspectiva, é comum que os efeitos causem diversos problemas, tais como o aumento na quantidade de casos de depressão e suicídio. Assim, novamente, tem-se que a qualidade da vida é afetada de maneira implacável, por causa, principalmente, da ingênua definição de que o Bullying não passaria de brincadeira.
Diante do exposto, visto que o Bullying impede a concretização da visão de vida descrita por Platão e de que as reações sociais podem ser devastadoras, é inegável que o problema merece grande atenção. Nesse sentido, para lidar com a situação, o Poder Público pode atuar junto a dois atores estratégicos, quais sejam: os próprios jovens e as escolas. Na primeira vertente (Governo e os próprios jovens), o Estado pode recrutar e incentivar influenciadores digitais a discutirem o tema na internet, TV e em outras mídias, de forma a elucidar os impactos que o Bullying causa na vida das vítimas e as reações para sociedade como um todo. Já no segundo modelo de atuação, por meio da parceria entre o Poder Público e as escolas a temática pode ser tratada de forma mais intensa, através da criação de uma semana anual para debater o problema e da inserção, na grade curricular de sociologia ou estudos sociais, de tópicos que tratem a fundo o tema, como pesquisas sobre os casos de grande repercussão e as consequências sociais do Bullying na qualidade de vida das pessoas.