Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 29/08/2018
Segundo Zigmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas são características da “modernidade líquida”, vivenciada pelo sociólogo durante o século XX. E, no Brasil, quando se observa os efeitos do “Bullying” na sociedade, verifica-se que essa ideia encontra-se ligada à realidade de país, seja pela falta de investimentos por parte do Estado, seja por fatores ligados à sociedade.
É inquestionável que os aspectos governamentais estejam entre as causas do problema. Segundo o sociólogo positivista Émile Durkheim, o Estado é a instituição máxima que permite o bom funcionamento da sociedade como um todo, de forma que o equilíbrio seja alcançado. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a falta de investimentos rompe essas harmonia, uma vez que, a escassez de recursos humanos nas escolas acaba fomentando o problema. Os profissionais, muitas vezes, não possuem a qualificação adequada para identificar casos de “bullying” entre os alunos e, tampouco, não possuem conhecimento de como agir e como recorrer em situações como essa.
Outrossim, destaca-se os fatores sociais como impulsionadores do problema. Durkheim define fato social como os instrumentos sociais e culturais que determinam as maneiras de agir, pensar e sentir na vida de um indivíduo. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que, as vítimas de “bullying”, de tanto sofrerem com discriminações na escola, acabam desenvolvendo sérios problemas psicológicos. Raiva, medo e baixa autoestima são apenas alguns dos problemas desenvolvidos por esses indivíduos e, nesse sentido, o papel escolar e o papel familiar são extremamente importantes na vida das vítimas.
É evidente, portanto, que medidas são necessárias para o combate à liquidez citada inicialmente. Dessa maneira, o Governo Federal deve, em consonância com as esferas estaduais e municipais, oferecer cursos de treinamento sobre o “bullying” para todos os educadores. Abordando as diversas formas como a prática se manifesta dentro e fora da sala de aula (seja na forma de insultos, violência física ou moral ou discriminação) e orientando os mesmos sobre como agir diante uma situação como essa. Tudo isso através da criação de políticas públicas com o objetivo de atenuar os índices de casos de “bullying” nas escolas brasileiras e diminuir seus efeitos na sociedade. Como já foi dito pelo pedagogo Paulo Freire: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Logo, o Ministério da Educação deve promover, nas escolas, atividades e projetos como ciclo de palestras e feiras de conhecimento que envolvam tanto os alunos quanto a comunidade, de modo a abordar sobre tal problemática e as formas de como evitá-la. Dessa forma, será possível construir relações humanas positivas e formar cidadãos comprometidos com o bem-estar social.