Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 24/08/2018

A obra “Extraordinário”, de R.J. Palacio, narra o cotidiano de um adolescente cujo o qual sofre ameaças diárias por ser considerado diferente perante a uma sociedade pautada, exclusivamente, em padrões estéticos e sociais. Ainda que se trate de uma ficção, a história relaciona-se, de maneira análoga, à realidade de indivíduos na conjuntura global, uma vez que a prática da intimidação sistemática é uma problemática ascensionária na hodiernidade. A vultuosa ocorrência desses atos revela uma exorbitante negligência governamental em tratar o assunto humanizadamente.

É importante ressaltar que a ocorrência do bullying, após o advento da internet, é cada vez mais afluente - visto que a globalização age sem barreiras. Essa possibilidade de ultrapassar espaços físicos culminou na intensificação deste ato estarrecedor, haja vista que não há fronteiras para efetivar a ação. Entretanto, a integração de países não é a maior culpada desse imbróglio, ao passo que esta acentuação ocorre, primordialmente, devido a maneira em que o Estado ignorou o problema durante anos. Ademais,  o Artigo 5 do Estatuto da Criança e do Adolescente prevê a proteção familiar plenamente aos menores, de modo pleno. Todavia, essa esfera tem agido de modo contraproducente em observar a ocorrência destes, colaborando para a existência de números assustadores tangentes à temática: no Brasil, um em cada dez adolescentes é vítima frequente de bullying.

Outrossim, essas práticas revelam uma cultura violenta que permanece intrínseca na contemporaneidade. Ademais, cabe salientar que o agressor é vítima de uma sociedade agressiva e, na maioria das vezes, apenas reproduz atos presentes em sua realidade. Contudo, essa replicação de agressões tem como efeito danos físicos, psicológicos e sociais para a vítima. Além disso, como defendido por Pierre Bourdieu, a violência simbólica age de maneira à retirar o jovem do convívio social, por consequência dos danos morais sofridos por este. A intimidação sistemática contribui, de maneira direta para a evasão escolar do indivíduo. A população, portanto, sofre os efeitos dessa prática por décadas.

Diante disso, é evidente a necessidade de transformar esse cenário vigente no Brasil. O filósofo iluminista Voltaire, ao defender a liberdade de expressão não abordava a mesma como arma letal. Por essa razão, seria benfeitor que o Ministério da Educação fizesse campanhas informativas que abordassem a gravidade de se praticar o bullying e divulgassem cada vez mais a lei 13.185, anti-intimidação sistemática. Por fim, cabe à universidade agir de modo a capacitar os futuros professores para perceber, lidar e coibir essa prática. Uma vez que as medidas sejam aplicadas, reduzir-se-à os danos sociais e psicológicos causados por esse infortúnio.