Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 27/08/2018
Émile Durkheim, sociólogo francês, afirmava que em uma solidariedade orgânica, para haver harmonia, cada parte do corpo social teria de cumprir sua função, a fim de não ocorresse uma patologia social. Nesse contexto, percebe-se que essa tese não vem sendo realizada, visto que persiste a prática do bullying na sociedade brasileira, o que gera efeitos negativos às vítimas. Isso é constatado uma vez que há tanto o preconceito oriundo de maior parte da sociedade quanto a baixa atuação do estado, escolas e famílias.
Convém ressaltar, a princípio, que o preconceito social contribui significativamente para a prática do bullying. De acordo com Drummond, “todo ser humano é um estranho ímpar”, isto é, diferente. Entretanto, o meio social tenta impor uma espécie de padrão as pessoas, de modo que se o indivíduo não se enquadre acabará sofrendo sansões injustificadas, que vão desde apelidos até atos de violência. Com isso, nota-se a ineficiente participação do Estado no que diz respeito a fornecer ajuda não apenas psicológica, como punitiva aos acusado.
Outrossim, é importante salientar que as escolas e famílias também agem de maneira ineficaz no que concerne o combate ao bullying. Segundo o filósofo inglês Jhon Locke, o ser humano nasce como uma folha em branco, sem conhecimento, e o adquire por meio das experiências. Nesse sentido, os ambientes escolar e familiar, os quais deveriam influenciar na formação de cidadãos que respeitem as particularidades dos outros, acabam, muitas vezes, por não monitorar e corrigir as atitudes, brincadeiras e piadas maldosas relacionadas a aparência, cor, sexo ou regionalidade. Dessa forma, a mentalidade da pessoa vai se modelando erroneamente. Enquanto quem é atingido pode apresentar isolamento social, medo de se expressar ,depressão em casos mais graves o suicídio. Ademais, a falta de diálogo entre pais e filhos dificulta a identificação do problema, o que acarreta na tardia compreensão da situação e em soluções que poderiam ajudar, mas que já não servem.
Evidencia-se, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Nesse viés, cabe ao Estado a criação de centros de apoio psicológicos aos sofredores de bullying, com profissionais capacitados para atendê-los, além de delegacias especializadas a investigar e punir de forma mais rígida tais casos, com o intuito de que a proteção mental e o sentimento de impotência sejam eliminados. Some-se a isso, a colaboração do Ministério da Educação em parceria com as escolas e comunidades, por meio de aulas , palestras e distribuição de cartilhas educacionais desde cedo aos cidadãos, com a finalidade não somente de informá-los das consequências que o bullying pode gerar, mas também interiorizar a mensagem de que a prática do respeito é essencial para melhorar o convívo na sociedade. Por fim, é indiscutível que as famílias devem atuar, por meio do diálogo e maior presença na vida dos filhos, com o fito de perceber e se posicionar corretamente diante das adversidades.