Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 04/09/2018

De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade contemporânea é composta por relações afetivas líquidas e frágeis. Nesse contexto, surgem práticas lastimáveis, como o bullying dentro das escolas, que é o ato de agredir fisicamente ou emocionalmente, humilhar, perseguir e descriminar uma pessoa repetidamente ao longo do tempo, o qual ocorre devido à intolerância entre os indivíduos e à negligência governamental.

Em primeira análise, a intolerância entre os alunos é a principal causa da prática do bullying. Isso ocorre porque, segundo o grande filósofo Voltaire em seu livro ’’ Tratado sobre a tolerância ‘’, o ser humano possui dificuldade de aceitar e conviver pacificamente com aquilo que é diferente do que ele julga ser o ideal. Por conseguinte, as pessoas que não se encaixam nos padrões estabelecidos pela maioria, como um corpo magro ou musculoso, os cabelos lisos, a pele branca, a heterossexualidade, se tornam vítimas dessa prática agressiva, o que causa a depressão, suicídios e a formação de cidadãos desestabilizados emocionalmente e profissionalmente dentro da sociedade.

Em segunda análise, consoante o contratualista John Locke, o ’’ contrato social ’’ é o dever do Estado de garantir a integridade dos cidadãos, porém, o Poder Executivo não efetiva esse direito. Isso decorre da falta de apoio dada às vítimas do bullying e da falta de fiscalização dentro das escolas, o que facilita a atuação dos agressores, uma vez que salas e pátios superlotados e más condições de trabalho prejudicam o supervisionamento dos profissionais e o apoio às vítimas. Em decorrência disso, gradativamente, os praticantes desse ato desumano ganham espaço e forma-se uma espécie de  ‘‘apartheid’’ dentro das escolas, o que forma uma sociedade cada vez mais desigual, exclusiva, injusta e  estratificada com pouquíssima mobilidade social.

Logo, fica evidente que medidas são necessárias para combater essa tônica. Em razão disso, cabe ao Ministério da Educação, em conjunto com empresas público-privadas, desestruturar a intolerância e possibilitar a efetividade da fiscalização do bullying e do apoio às vítimas, por meio de palestras e debates sobre a tolerância e a igualdade entre os indivíduos e da limitação do número de alunos dentro das salas e dos pátios, a fim de conscientizar os alunos e coagir os agressores. Dessa forma, será realizável a formação de uma sociedade justa e igualitária.