Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 02/09/2018
“A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar”. Sob tal ótica, é válido relacionar a frase de Martin Luther King com a necessidade de combater o bullying nas escolas, uma vez que os jovens agressores, posteriormente, se tornarão adultos hostis. Isto posto, é indubitável que o bullying fomenta implicações em toda sociedade, e, nesse contexto, é oportuno analisá-lo como um fator corroborativo no baixo desempenho escolar e no aumento dos casos de doenças mentais. Assim, configura-se um grave problema social no que tange à intimidação sistemática na contemporaneidade.
Consoante artigo da Universidade de São Paulo, “Desempenho escolar e bullying em estudantes em situação de vulnerabilidade social”, alunos que presenciaram ou foram vítimas de agressão têm os níveis mais baixos em leitura, escrita e aritmética. Tal fator gera graves consequências em toda a vida acadêmica do discente e, o ambiente escolar, em grande parte, não oferece a assistência necessária, aspecto capaz de contribuir, também, para o crescente índice de evasão escolar no Brasil. Não obstante, a Lei n°13.663 torna responsabilidade das instituições de ensino promover ações de combate e prevenção ao bullying, mas tal inciso não é desempenhado eficientemente por, sobretudo, falta de fiscalização do Poder Executivo.
Em paralelo, a intimidação sistemática está diretamente ligada com o acréscimo mundial nos casos de transtornos mentais. Conforme dados de pesquisa conduzida pela Universidade de Oxford, um terço dos quadros de depressão em jovens adultos está conexo à bullying na adolescência. Por conseguinte, é nítido o efeito que agressões físicas e morais trazem à saúde psicológica da vítima, deixando marcas profundas, com potencial chance de acarretarem um suicídio. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, o autocídio, apesar de parecer um fato individual, é social e, sob essa perspectiva, é válido associá-lo ao bullying, já que, por se sentir humilhado, o indivíduo encontra na morte uma escapatória da realidade.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para cessar os efeitos causados pela intimidação sistemática na hodiernidade. É imperioso que o Poder Executivo fiscalize o cumprimento da lei 13.663, criando diretrizes, em conjunto o MEC (Ministério da Educação), acerca da ações de prevenção ao bullying e como a escola deve proceder com as vítimas, a fim de que as instituições possam se basear nessas orientações, tornando o ambiente estudantil mais acolhedor. Outrossim, o MEC deve, ainda, realizar debates periódicos sobre o assunto, ministrados por psicólogos e vítimas, com o intuito de desenvolver o caráter empático das pessoas, enfatizando, também, questões como a saúde mental. Sob tal perspectiva, poder-se-á viver em um mundo idealizado à perspectiva de Martin Luther King.