Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 29/08/2018
Nos Estados Unidos, a recente onda de tiroteios contra escolas apontou para a emergência da questão do “bullying”, visto que a maioria dos atiradores eram vítimas desse tipo de assédio. Já no Brasil, um caso parecido aconteceu em uma escola do Rio de Janeiro, no chamado Massacre do Realengo. Dentro desse contexto, observa-se que o bulimento pode ter consequências severas para a formação psicológica do cidadão e para a própria convivência harmônica da comunidade.
O cientista social Dan Olweus fez uma série de estudos a respeito de intimidação escolar - atos repetitivos de violência física ou psicológica, em uma situação com desequilíbrio de poder. Nessas pesquisas, é notório que o acossamento tem o potencial de destruir a autoestima da vítima; com o tempo, ele pode desenvolver quadros de depressão e transtornos de ansiedade. Mas eles não são os únicos que sofrem com isso: quando um comportamento agressivo não é repreendido durante o desenvolvimento da criança, há um risco maior deste agressor apresentar, no futuro, comportamentos criminosos, autodestrutivos e violentos. Através desses dados, o estudioso sueco defende a prevenção do problema, que pode afetar irremediavelmente a personalidade dos jovens.
Ademais, exames feitos na Suécia mostraram que 42% dos alunos entrevistados culpou a vítima pela agressão. Assim, é certo que muitos docentes ainda não se conscientizaram sobre o assunto. Também é importante notar que a maioria dos agressores demonstra baixa inteligência emocional, a qual não é priorizada pelo atual currículo escolar. Desse modo, a habilidade dos adolescentes de lidar com os sentimentos dos outros tem um papel fundamental na questão do “bullying.” Para mais, o amadurecimento mental também representa uma grande parte da função do homem na sociedade, seja no meio profissional ou no convívio com os outros.
Logo, é contingente tratar de tal adversidade, evitando o prejuízo psicológico aos envolvidos que representam o futuro da sociedade brasileira. Para tanto, uma intervenção na Dinamarca demonstrou que o treinamento de docentes para lidar com violência pode ser determinante em muitos casos. Sendo assim, o mesmo poderia ser implementado no sistema de ensino brasileiro, através de um programa de governo desenvolvido pelo Ministério da Educação. Com o uso de verba do orçamento público, assistentes sociais seriam preparados para conscientizar estudantes moderadores, os quais deverão supervisionar e intervir nesse tipo de situação. Dessa forma, os menores aprenderão sobre empatia, colaboração e resolução de problemas e defenderão a igualdade de tratamento entre seus colegas.