Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 04/09/2018

Na obra ‘’ O Ateneu’’, escrita pelo autor Raul Pompeia, relata a convivência de Sérgio em um internato que reflete a sociedade. Nesse internato, Sérgio é maltratado várias vezes por Barbalho através de insultos e empurrões. Análogo a isso, milhares de ‘’Sérgios’’ no Brasil, são agredidos e hostilizados diariamente no ambiente escolar por serem considerados diferentes. Ora, a prática do bullying é uma afronta à dignidade da pessoa humana.

Nessa perspectiva, as ofensas disfarçadas de brincadeiras entre grupos de jovens que querem ser engraçados ou chamar atenção dos colegas contribuem para essa violência repugnante. Conforme o filósofo Jean Paul Sartre, a violência seja qual for a maneira que ela se manifesta, é sempre uma derrota. Nesse sentido, muitas pessoas são violentadas constantemente por agressores que agem com ameaças, discriminações, chacotas e humilhações, com efeito às vítimas poderão apresentar medo, trauma, depressão, ansiedade e até mesmo cometer o suicídio. Por exemplo, em Goiânia no ano de 2017, um estudante da escola Goyases, que sofria bullying, matou dois estudantes depois tentou se suicidar. Dessa forma, essas ‘’brincadeiras’’ agressivas são marcas de uma sociedade que não respeita o outro.

Ademais, a ausência do grupo familiar corrobora para o aumento dos casos de bullying. A carência do diálogo ocasionou um distanciamento da vida pessoal do filho com os pais, como resultado acarretou a perca da confiança e intimidade por parte do filho. Por conseguinte, esses indivíduos sofrem calados as suas angústias e aflições, o que leva os pais a não procurarem ajuda para reverter essa situação. De acordo com a pesquisa realizada pela Comissão AOB Vai à Escola, 82% das pessoas que sofrem bullying afirmam que a família é ausente. Logo, é necessário que a família seja participativa na vida dos filhos, dedicando um tempo para conversas e diálogos.

Transformar, portanto, esse retrato de ofensas e agressões requer desafios. Para isso, as escolas, por meio de palestras e reuniões em grupos com professores, psicólogos, pais e alunos devem trabalhar no sentido de ampliar o contato entre os pais e os filhos, a fim de que se tornem mais atenciosos a respeito do comportamento dos filhos. Outrossim, cabe à Secretaria de Comunicação Social (SECOM) realizar campanhas publicitárias nos principais veículos de comunicação, televisão e internet, informando a população os efeitos nocivos que o bullying causa, com o intuito de atenuar essas práticas e promover o respeito às diferenças. Dessa maneira, muitos ‘’Sérgios’’ estarão salvos dessas atrocidades.