Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 31/08/2018
A Declaração Universal dos Direitos Humanos - promulgada pela ONU, em 1948 - assegura a todos os direitos à saúde, à educação e ao bem-estar. Entretanto, observa-se que, no Brasil, os processos que versam a respeito dos mecanismos de combate ao bullying nas escolas ainda são repletos de carências a serem superadas. Nessa perspectiva, a conservação dessa atuação insuficiente é refletida em um cenário desafiador para um Estado Democrático de Direito, seja pela existência de uma cultura de humilhação nas escolas brasileiras, seja pela ineficácia das estratégias estatais para reverter esse panorama adverso.
Deve pontuar, inicialmente, que muitos alunos alteram suas atitudes comportamentais para que sejam aceitos socialmente. No entanto, essa modificação implica em uma perda de identidade por parte desses indivíduos, muito pelo medo dos julgamentos e dos atos bárbaros que são exercidos pelo meio em que estão inserido. Nessa lógica, o filósofo francês Michel Foucault analisa que as relações de poder estão vinculadas às próprias relações estabelecidas na sociedade, de maneira que o bullying se mostra presente no momento em que há um processo de coerção, tanto física quanto emocional, visando o estabelecimento e a garantia do poder de um determinado grupo sobre um indivíduo ou uma coletividade socialmente marginalizada, como os negros e os homossexuais. Em decorrência disso, verifica-se os incidentes envolvendo humilhações entre alunos no espaço escolar.
Vale ressaltar, também, que a impunidade vigorante nesse meio reforça as consecutivas ocorrências dessas práticas danosas. Nesse sentido, destaca-se a ineficácia das políticas públicas que visaram suprimir esse quadro, haja vista a persistência de casos dessa natureza, como o episódio marcante na história da nação conhecido como Massacre de Realengo, ocorrido em 2011, na periferia do Rio de Janeiro, em que um ex-estudante de uma escola municipal matou 12 alunos dessa instituição em um ato de vingança ao bullying sofrido em seus anos de estudo. Logo, revela-se a necessidade de alteração do modo de atuação do Estado perante o meio escolar brasileiro.
Depreende-se, portanto, que, diante da urgência de se reverter esse contratempo, o Ministério da Educação, em sinergia com o Ministério da Saúde, precisa instituir nas escolas espaços de debate obrigatório a respeito das consequências maléficas advindas do bullying, de maneira que haja possibilidade de se desenvolver o senso crítico das crianças e dos jovens acerca dessa temática. Isso pode ser realizado por meio de palestras educativas com profissionais da saúde que englobem a participação da família desses alunos. Assim, de forma progressiva, pode-se almejar um país mais empático e que respeite, invariavelmente, os direitos humanos propostos, há 70 anos, pela ONU.