Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 07/09/2018
Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a questão do bullying, no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela insuficiência escolar, seja pelo papel da família nesse processo. Nesse sentido, convém analisarmos as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade.
É indubitável que os atuais mecanismos pedagógicos e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. A Constituição Federal brasileira garante que é papel das instituições de ensino combaterem o bullying, porém, observa-se que o atual método pedagógico vigente em grande parte das escolas brasileiras têm se mostrado falho, tendo em vista que é dada mais ênfase às matérias cobradas em provas do que no ensino de valores éticos e morais, o que faz com que o incentivo ao bom convívio interpessoal dos alunos seja deixado em segundo plano. Em consequência disso, nota-se que os conflitos entre alunos em virtude da intimidação sistemática tem sido cada vez mais evidente, como é enfatizado por uma pesquisa da ONU, a qual diz que metade dos jovens do mundo já sofreram bullying.
Outrossim, destaca-se a ausência familiar como grande impulsionadora do problema. De acordo com o filósofo Rousseau, o ser humano é produto do meio pelo qual ele está inserido. Seguindo essa linha de pensamento, cabe à família exercer seu papel social em educar seus filhos a respeitarem a dignidade do próximo, sendo imprescindível que haja um acompanhamento rigoroso dos pais na vida escolar das crianças e jovens. Nessa perspectiva, o desacompanhamento pode refletir na construção de indivíduos intolerantes e egoístas que, não raro, propagam ódio gratuito aos demais colegas, o que pode causar às vítimas diversos problemas psicológicos, como a ansiedade e a depressão.
Diante disso, é evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem um mundo melhor. Destarte, como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação deve promover, nas escolas, projetos de combate à intimidação sistemática. Para isso, é fundamental que haja uma ação conjunta entre os dirigentes escolares e os pais, a fim de garantir que os valores sejam aplicados tanto na escola quanto nas residências. É indispensável, por conseguinte, que haja a instituição de palestras ministradas por psicólogos especializados no comportamento infantojuvenil, tendo-se como pauta principal o debate acerca da importância de se combater o bullying através do diálogo e respeito ao próximo, para que, dessa maneira, o fim da intolerância deixe de ser, de fato, uma utopia para o Brasil.