Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 27/09/2018

Solidão. Isolamento. Agressividade. Rebeldia. Esses são alguns traços do perfil de pessoas que sofrem “bullying” - termo estrangeiro que caracteriza atos repetitivos de violência física ou psicológica - podendo causar transtornos às vítimas, levando-as, muitas vezes, a cometer suicídio. Segundo a UNICEF, o Brasil é o quarto país com maior prática de bullying no mundo, e apesar de o fenômeno não ser recente, o combate nacional virou lei somente em 2016, seis anos após o massacre de Realengo, no qual 12 crianças foram mortas em uma escola, assassinadas por um ex aluno que declarou ter sofrido bullying anteriormente. Entender as motivações para tais agressões, principalmente no âmbito familiar e escolar é uma excelente forma de se combater essa violência na sociedade brasileira

Em primeiro lugar, uma pesquisa realizada pelo IBGE, mostra a escola como o ambiente mais propício para se ocorrerem práticas de bullying, devido à uma maior concentração de crianças e adolescentes, que por sua vez, são o público alvo para as agressões. A série norte-americana 13 reasons Why, demonstra bem como práticas ofensivas dentro das escolas podem destruir a autoestima e alimentar o isolamento dos indivíduos. Por conseguinte, em busca de um escape, muitas vítimas participam de jogos como o “bully”, pois se sentem acolhidas e representadas em um ambiente virtual, no qual o personagem enfrenta os mesmos problemas causados por alunos e professores na escola. Entretanto, tais jogos participativos muitas vezes tem o intuito de levar os indivíduos a cometerem suicídio, caso não recebam o apoio necessário da escola, das pessoas ao redor, ou da família.

Apesar de ocorrer, em sua maioria, dentro das escolas, o bullying também pode ser combatido com a ajuda da família. Porém, é necessário que o ambiente em casa seja de acolhimento, para que os problemas não aumentem e tornem a situação mais agravante. Os pais são as primeiras pessoas que levam o contato com o respeito para os filhos, é dever deles, principalmente, ensinar que as singularidades das pessoas devem ser respeitadas. Paulo Freire falava em uma “cultura de paz”, evidenciando o papel da educação no que diz respeito às injustiças, incentivando a tolerância.

Em vista do que foi citado, é de suma importância que o poder público, por meio do Ministério da Educação, insira psicólogos nas escolas a fim de treinarem os professores, para que tais possam identificar casos de agressões dentro das salas, como também para que que os alunos tenham um fácil acesso em busca de ajuda. Ademais, tais profissionais com ajuda da direção escolar, devem sempre promover palestras com a participação de pais e alunos, em busca de mostrar a importância de o assunto ser tratado em casa e no ambiente escolar. Dessa forma, será possível evitar que no Brasil, presenciem-se mais casos como o de Realengo, salvando assim, a vida de mais pessoas e vivendo a cultura de paz, idealizada por Paulo Freire.