Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 28/09/2018

No drama neerlandês, de 2013, “Um grito de socorro” o personagem Jochem sofre constantes provocações e humilhações de seus colegas de classe, por conta de seu sobrepeso, e ao se ver sem saída, o adolescente põe fim a própria vida, gerando uma comoção em toda a cidade. Parafraseando Aristóteles que afirmou que a arte imita a vida, casos de bullying não limitam-se apenas à ficção, de forma que é habitual vermos notícias a respeito de suicídio ou homicídio, ou tentativa de ambos, tendo como motivo provável o bullying nas escolas. Urge então, que o bullyiing seja reconhecido como uma problemática grave, que deve ser discutida tanto no ambiente escolar quanto familiar.

Visto isso, é preciso destacar como o bullying pode afetar negativamente, tanto a vítima como  o agressor. Sendo responsável por causar nas vítimas, desde estresse até o suicídio, em situações extremas, passando por diversos estágios em que a criança ou adolescente pode apresentar baixa autoestima, autoflagelação e até mesmo a evasão escolar, que trarão sequelas por toda a vida. Além disso, é preciso ressaltar que o autor da violência também é afetado, especialmente se nenhuma medida for tomada para interrompê-la. O agressor pode apresentar atitudes antissociais na vida adulta, há também estudos que apontam a correlação entre praticar bullying na infância e condenações criminais e envolvimento em casos de violência doméstica.

Além disso, há outros fatores que influenciam na continuação desse mal social e seus efeitos negativos à sociedade: a negligência de pais e professores. Afirmações como, “É tudo apenas brincadeira” ou ainda, “É só uma fase”, podem agravar a situação, pois a vítima se culpabiliza pela violência que sofre e deixa de pedir ajuda. Sendo assim, é preciso implementar nas escolas e ensinar aos pais de alunos o que, o educador, Paulo Freire chamou de “cultura de paz”, que evidencia o papel da educação de expor injustiças, incentivar a colaboração e de ensinar a conviver com o diferente. Do contrário, dados, como o divulgado pelo Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, que apontam que 18% dos já sofreram bullying nas escolas, continuarão a existir.

Infere-se, portanto, que medidas transformadoras sejam tomadas, a fim de impedir que os efeitos negativos desse tipo de violência se perpetuem. Posto isso, cabe ao Ministério da Educação e às universidades, o papel de formarem professores capacitados a identificar e lidar com o bullying nas escolas, o que pode ser feito por meio da inclusão de disciplinas psicopedagógicas direcionadas ao tema. Ademais, é necessária uma parceria que envolva a escola, o aluno e a família, que por meio de palestras, depoimentos e dinâmicas em grupo, criem uma conscientização sobre o bullying e promovam a empatia. Assim, evitaremos que mais histórias, como a de Jochem, se repitam em nossa sociedade,