Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 19/10/2018
“Por que bonita, se coxa? Por que coxa, se bonita?” Essa frase do livro “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, do escritor Machado de Assis, denuncia o preconceito e discriminação aos indivíduos que não se encaixam no padrão comum de beleza . De fato, esse cenário não encontra-se apenas na ficção, uma vez que a sociedade brasileira, hoje, lida com um dos piores tipos de violência: o bullying. Diante dessa realidade, devido às ideologias hodiernas e insuficiências institucionais, a problemática instala-se, ditando sequelas físicas e psicológicas.
É importante considerar, antes de tudo, a influência da mídia nessa mazela. Sob essa aspecto, é indubitável que esse meio de comunicação, ao exibir apenas pessoas magras e caucasianas , fomenta a solidificação de um padrão de beleza que deve ser seguido pela sociedade. Nesse viés, não raro, os indivíduos que não encaixam-se nesse modelo sofrem preconceitos e discriminações de seu ciclo social e, assim, a vítima opta por isolar-se de todos, ficando susceptível ao desenvolvimento de doenças psicológicas, como a fobia social ou a depressão. Tal realidade, em consonância com a filosofia de Sartre, que expõe que a violência é sempre uma derrota, mostra a urgência da comunidade superar os valores impostos pela mídia.
É válido considerar, ainda, o ambiente escolar como facilitador desse crime. Seguindo essa linha de raciocínio, por ser a gênese da vida em sociedade de uma criança, há o desconhecimento do que é bullying e quais são os seus efeitos perante a vida da vitima. Sendo assim, torna-se comum as brincadeiras malvadas, no qual os alunos reproduzem os atos de bullying ao ver o coloca praticando, gerando um ciclo vicioso do crime. Frente a esse cenário, é incontrovertível que as instituições sociais- como família e escola, apresentam falhas na formação dos cidades, de maneira que urge a necessidade de medidas para muda-lo pois, como exposto por Gilberto Freyre, o ornamento da vida está em como um país cuida de suas crianças.
É fundamental, portanto, um trabalho conjunto entre Ministérios e mídia, na qual esta, por meio de quadros, como o “eu amo quem eu sou”, em programas como o “Fantástico”, deve promover a empatia, mostrando a necessidade de colocar-se no lugar do outro, a fim de combater preconceitos e, consequentemente, mitigar a ação coercitiva dentro e fora dos locais de ensino. Concomitantemente, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com as escolas, capacitar profissionais para atender as vítimas dessa violência, no intuito de evitar as consequências geradas por ela e, ainda, promover palestras dentro desses ambientes para os estudantes, visando uma maior condescendência entre estes.