Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 08/10/2018
Solidão. Isolamento. Agressividade. Esses são alguns traços do perfil de pessoas que sofrem “bullying” - termo estrangeiro que caracteriza atos repetitivos de violência física ou psicológica - podendo causar transtornos às vítimas. Segundo a UNICEF, o Brasil é o quarto país com maior prática de bullying no mundo, e apesar de o fenômeno não ser recente, o combate virou lei somente em 2016, seis anos após o massacre de Realengo, no qual crianças foram mortas em uma escola, assassinadas por um ex-aluno que declarou ter sofrido bullying. Entender as motivações para tais agressões, principalmente no âmbito familiar e escolar, é uma excelente forma de se combater essa violência.
Em primeiro lugar, uma pesquisa realizada pelo IBGE mostra a escola como o ambiente mais propício para se ocorrerem práticas de bullying, devido a uma maior concentração de crianças e adolescentes, que por sua vez, são o público alvo para as agressões. A série norte-americana 13 reasons Why, demonstra como práticas ofensivas nas escolas podem destruir a autoestima e alimentar o isolamento dos indivíduos. Por conseguinte, em busca de um escape, muitas vítimas participam de jogos como o “bully”, pois se sentem representadas em um ambiente virtual, no qual o personagem enfrenta os mesmos problemas causados na escola. Entretanto, tais jogos muitas vezes têm o intuito de levar os indivíduos a cometerem suicídio, caso não recebam o apoio necessário da escola ou da família.
Ademais, apesar de ocorrer, em sua maioria, dentro das escolas, o bullying também pode ser combatido com a ajuda da família. Porém, é necessário que o ambiente em casa seja de acolhimento, para que os problemas não aumentem e tornem a situação mais agravante. Os pais são as primeiras pessoas que levam o contato com o respeito para os filhos, é dever deles, principalmente, ensinar que as singularidades das pessoas devem ser respeitadas. Paulo Freire falava em uma “cultura de paz”, evidenciando o papel da educação no que diz respeito às injustiças, incentivando a tolerância.
Em vista do que foi citado, é de suma importância que o poder público, por meio do Ministério da Educação, insira psicólogos nas escolas, para que tais, treinem os professores a identificar casos de agressões físicas e psicológicas dentro das salas e as interromper imediatamente; como também para que que os alunos tenham um fácil acesso em busca de ajuda para desabafar, com o intuito de evitar que o bullying se perpetue e ganhe força dentro das escolas. Além disso, tais profissionais, devem promover palestras com a participação de pais e alunos, em busca de mostrar a importância de o assunto ser tratado em casa e no ambiente escolar. Dessa forma, será possível evitar que no Brasil, presenciem-se mais casos como o de Realengo, salvando mais pessoas e vivendo a cultura de paz, idealizada por Paulo Freire.