Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 14/10/2018

De acordo com o escritor britânico Oscar Wilde, que viveu no século XIX, época de esplendor do racionalismo, “O primeiro passo é o mais importante na evolução de um homem ou nação”. Nesse contexto, faz-se necessário sair da inércia e engendrar - cautelosamente - medidas assertivas cujo objetivo seja combater os impactos do bullying na sociedade. Em vista disso, é imprescindível uma análise mais abrangente em relação aos fatores que influenciam essa adversidade a gerar consequências que impõem dificuldades à formação dos cidadãos e à integração social.

Convém ressaltar, primeiramente, que o bullying não se resume apenas às agressões e às humilhações, uma vez que as suas implicações geram efeitos, muitas vezes, irreversíveis. Sem dúvida alguma, é inadmissível que, em pleno século XXI, indivíduos tenham que conviver com uma rotina de constrangimento, que resulta em consequências físicas e psicológicas. Todavia, o resultado dessa vivência, que aos olhos de muitas pessoas parece ser incólume, isto é, sem danos profundos, pode condicionar situações extremas. Prova disso foi um fato chocante que ocorreu, em 2017, na cidade de Goiânia, no qual um menino armado, de apenas 13 anos, disparou contra seus colegas, em decorrência das constantes humilhações sofridas na escola. Desse modo, a atitude extrema desse jovem não demonstra apenas uma angústia acentuada, mas o resultado impetuoso desse desespero.

Outrossim, o bullying decorre de fatores externos ao indivíduo que comete esse tipo de violência. Isso porque esses cidadãos, na maioria das vezes, crianças, não possuem um estado latente de agressividade, mas uma vivência sujeita à impetuosidade. Isso se deve ao fato de que, por vezes, o ambiente familiar é envolto de situações hostis e repulsivas, gerando a naturalização da violência. De modo que, segundo o sociólogo Émile Durkheim, o fato social, por ser a maneira coletiva de pensar e agir, exerce uma pressão coercitiva sobre o indivíduo. Nesse sentido, se uma criança fizer parte de uma agremiação que naturaliza a violência, ela tenderá a adotar esse comportamento pela vivência em grupo. Logo, é preciso uma mudança de hábito para que o bullying não seja naturalizado na sociedade.

Urge, portanto, a proeminência de medidas para esse revés. Previamente, cabe à mídia cumprir com a sua função social e, mediante filmes, novelas e propagandas, trabalhar a questão do bullying,  tendo em vista demonstrar os seus efeitos nocivos à sociedade, a fim de que haja uma integração social que busque combater esse problema. Ademais, cabe à escola e às ONGs, em parceria, transmitir aos alunos, por meio de palestras, projetos educacionais e discussões, a importância do respeito mútuo e da empatia, para que o bullying seja combatido pelos próprios alunos dentro e fora da escola. Quem sabe assim, levantando pontos e debatendo ideias, seja possível defrontar essa objeção degradante.