Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 15/10/2018
Segundo o sociólogo francês Pierre Bourdieu, o conceito de violência simbólica está associado a relações não de coersão física, mas a atitudes de imposição e opressão. Nesse sentido, o bullying pode enquadrar-se nesse tipo de injúria pelo fato de caracterizar-se por, além de agressões físicas, ofensas verbais e de forma repetitiva, causando danos morais e psíquicos aos indivíduos. Destarte, em vista de ser um entrave na sociedade brasileira, faz-se necessária a averiguação dessa problemática e de seus efeitos, bem como a busca de alternativas para combatê-la.
Em primeira análise, é importante mencionar que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) trata da proteção integral à criança e ao adolescente, afirmando que ambos devem usufruir dos direitos fundamentais. Todavia, observa-se na sociedade a dificuldade do alcance dessa realidade, através dos dados de pesquisa realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU), os quais apontam que, no Brasil, 43% das crianças e jovens já sofreram maus-tratos, cujas razões são diversas, como: aparência física, orientação sexual, gênero e etnia. Além disso, há graves consequências para os que sofrem tal coação, dentre as quais pode-se mencionar: sentimentos de baixa estima, baixo rendimento escolar, isolamento, comportamento agressivo ou até mesmo prática de suicídio.
Somado a isso, verifica-se que esse tipo de crueldade também atinge adultos, por meio de atos discriminatórios, muitas vezes em ambientes de trabalho. Em conformidade com esse fato, pesquisa do Instituto Abrace mostra que 37% dos professores foram alvos de atitudes segregacionistas, tais como: discriminação por serem homossexuais ou negros. Isso fere os princípios constitucionais, que asseguram o respeito e a dignidade de todo ser humano. Além disso, houve a criação da Lei Antibullying em 2015, com o objetivo de criar mecanismos de notificação de casos de agressão, além de conscientização, prevenção e combate a essa prática e, mesmo assim, ainda não se vê redução nos índices dessas agressões.
Diante do exposto, é imprescindível encontrar soluções para o problema mencionado. Para isso, faz-se mister o Governo e as secretarias especiais de direitos humanos criarem campanhas de divulgação da Lei Antibullying, a fim de que seja conhecida e aplicada em âmbito colegial e laboral. Cabe também ao Ministério da Educação (MEC) e às Universidades a formação de professores capacitados para identificar e lidar com o bullying nas escolas, devendo estas também abordar o tema em aulas, mostrando a gravidade do assunto e incentivando o compartilhamento de experiências, a fim de promover e o altruísmo entre os alunos. As ONGs, por sua vez, devem oferecer apoio social e psicológico às vítimas. Dessa forma, caminhar-se-á rumo à extinção de qualquer tipo de violência.