Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 16/10/2018
De acordo com Aristóteles, o homem é um ser social e a vida em sociedade é imprescindível para a sua realização pessoal e busca pela felicidade. No entanto, essas relações interpessoais podem ser prejudiciais à essa busca, já que práticas como o bullying - violência física e psicológica sistemática contra um grupo ou um indivíduo – acarreta consequências biopsicossociais na vida da vítima, sendo ainda perpetuado pela falta de denúncia e negligenciamento de responsáveis, distanciando-se da perspectiva Aristotélica.
Mormente, é imperativo destacar que o bullying ainda é considerado por muitos, como uma brincadeira de crianças e adolescentes, a qual seria resolvida entre eles. Contudo, é evidente que se trata de um abuso constante e, lamentavelmente, comum e crescente no Brasil, em que pensamentos como esses corroboram para o descuido de responsáveis no combate dessas agressões, pelos professores - seja por serem mal preparados para resolverem questões como essa ou simplesmente pela falta de empatia e preocupação - que não intervém, ou até mesmo as vítimas que não denunciam, por medo de não acreditarem nelas, por medo do agressor, pelo sentimento de culpabilização, dessarte, as violências continuam gerando graves consequências.
Consoante o sociólogo Jean Paul Sartre, a violência seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota. Nesse viés, dados como do Pisa (Programa Internacional de avaliação de estudantes), indicam que 43% das jovens no país já sofreram bullying na escola por razões como aparência física, etnia, gênero e orientação sexual, denotando uma derrota significativa do ambiente acadêmico na preparação do indivíduo, pois um local onde deveria ser palco para aprendizado e tolerância, infelizmente, transforma-se em um palco de constante propagação de preconceito. Não obstante, as vítimas possuem um perfil recorrente, fogem dos padrões impostos pela sociedade, com isso os agressores, que comumente, querem exteriorizar suas angústias sentindo-se superior ao humilhar o outro, deixam marcas como depressão, baixa autoestima e suicídio. Sendo assim, esse cenário nefasto suscita de ações efetivas para cessar tais condutas que implicam no sofrimento.
Portanto, compete ao Ministério da Educação, em parcerias com as escolas, investir em políticas que visem combater o bullying, através da implementação de palestras - divulgando as consequências devastadoras na vida da vítima - e capacitação de docentes para serem aptos na intervenção dessa violência, a fim de tornar a escola um local prazeroso para todos com diversidade e respeito, além de tornar as relações interpessoais realmente benéficas ao alcance da felicidade como acreditava Aristóteles.