Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 15/10/2018
Definido como uma violência intencional e repetitiva, o bullying tem crescido cada vez mais na sociedade brasileira. Embora a lei para combater tal prática esteja em vigor desde fevereiro de 2016, a intimidação sistemática é um problema social que ainda persiste. Nesse contexto, deve-se analisar como a negligência familiar e a omissão escolar prejudicam tal problemática.
Primeiramente, a ausência dos pais no processo educacional dos filhos é uma das principais responsáveis pela manutenção do problema em questão. Segundo o psiquiatra Pichon, a família é a estrutura social básica de um sujeito. Porém, na sociedade hipercapitalista que vivemos, por exemplo, o desejo insaciável de obtenção do máximo lucro monetário faz com que muitos pais precisem passar mais tempo trabalhando do que educando os filhos, contrariando a ideia de Pichon. Por consequência disso, as crianças, muitas vezes, de acordo com o Programa Internacional de Avaliações de Estudantes, acabam desenvolvendo um sentimento de autonomia, responsável pela persistência e potencialização do bullying, já que os agressores não são educados a respeitar o próximo e as vítimas não são educadas a procurar ajuda.
Em uma segunda análise, nota-se, ainda, que a omissão escolar também é responsável pela prática do bullying. Isso porque, além da simples exposição de conteúdo, é dever da escola educar o aluno para a convivência no coletivo, nas relações pessoais e profissionais. Paulo Freire já falava em uma “cultura da paz”, evidenciando o papel da educação na exposição de injustiças, incentivando a colaboração, a convivência com o diferente e a tolerância. Em decorrência de tal negligência, a intimidação tende a intensificar. Não é à toa, logo, que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, os casos de violência intencionais e repetitivas tenham, em menos de 3 anos, aumentado em mais de 30%.
Torna-se evidente, portanto, que a família e a escola devem combater o bullying. Em razão disso, o Ministério da Educação (MEC), com o apoio da mídia, deve, a fim de buscar a conscientização, disseminar, por meios comunicativos, propagandas que mostrem aos pais as consequências que a omissão deles na educação dos filhos pode causar, para que, assim, as crianças não desenvolvam um sentimento de autonomia. Outrossim, o MEC, em parceria com as escolas, deve incluir a disciplina ética e cidadania, por intermédio de uma reforma curricular do ensino infantil ao médio, objetivando ensinar valores morais essenciais, como o respeito ao próximo, para, dessa forma, os casos de intimidação sistemática serem decrescente. Desse modo, o bullying deixará de fazer parte do cotidiano brasileiro.