Efeitos do Bullying na sociedade

Enviada em 20/10/2018

Segundo a Constituição Federal de 1988, no seu artigo 3, o Estado tem como objetivo promover o bem de todos, além de construir uma sociedade livre, justa e solidária. Conquanto, quando se observa as denúncias de bullying e os efeitos causados às vítimas, hodiernamente, vemos a fragilidade do sistema constitucional. Nessa conjuntura, há dois fatores que corroboram para tal problemática: a concepção histórica de supremacia presente na sociedade e a incapacidade dos indivíduos de tolerar diferenças.

A priori, são diversos os motivos que colaboram para o crescimento do bullying. Dentre eles, pode-se listar a cultura histórica marcada pelo fato de os indivíduos quererem impôr à sociedade o seu modo de vida e sua cultura. Nesse ínterim, durante o período colonial, os portugueses criticavam a população indígena pelo seu modo de viver e, dessa forma, disseminavam gradativamente a cultura trazida da Europa, além de exterminar as tradições dos nativos. Diante disso, é necessário que medidas sejam tomadas para reverter esse nefasto cenário colonial de conflitos e supremacia.

De outra parte, o sociólogo Zygmunt Bauman defende, na obra ‘‘Modernidade Líquida’’, que o individualismo é uma das principais características - e o maior conflito - da pós-modernidade, e , consequentemente, parcela da população tende a ser incapaz de tolerar diferenças. Outrossim, segundo o portal G1, as principais vítimas de bullying são os homossexuais e os negros, o que mostra, infelizmente, o preconceito intrínseco presente na sociedade. Nesse sentido, um caminho possível para combater a prática do bullying é desconstruir o principal problema da pós-modernidade, segundo Bauman: o individualismo.

Infere-se, portanto, que é imprescindível a mitigação da violência verbal e física que advém do bullying. Nessa perspectiva, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve realizar palestras para os alunos e para a comunidade, alertando sobre a seriedade do bullying e os efeitos que pode causar nas vítimas, a fim de uniformizar o laço social e, também, cumprir com a máxima de Nelson Mandela, que constitui a educação como segredo para transformar o mundo. Ademais, o Poder Legislativo deve criar leis rígidas para punir os praticantes do bullying, visto que a impunidade traz como consequência a repetição da agressão, dando início a um ciclo vicioso. Infere-se que não há receitas prontas para atenuar esse problema, mas a direção é bastante clara: é preciso agir.