Efeitos do Bullying na sociedade
Enviada em 22/10/2018
Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, afirma que a sociedade pós-moderna caracteriza-se pela fugacidade das relações sociais e e distanciamento entre seus membros. É nesse contexto de liquidez das interações pessoais que se perpetuam os efeitos do “bullying” na sociedade brasileira, reflexo da desorientação familiar e escolar da juventude nacional, bem como da ineficácia das políticas públicas para seu combate no país, o que traz consequências às vítimas.
Diante disso, é indubitável que a escassez de diálogo entre os jovens e seus pais e docentes esteja entre as causas dessa problemática. Segundo Hannah Arendt, filósofa alemã, em seu escrito “Eichmann em Jerusalém”, o mal insere-se pela irreflexão daqueles que o praticam. Seguindo essa linha de pensamento, os adolescentes brasileiros, principais vítimas do “bullying” no país, de acordo com o IBGE, ao não dialogarem com suas famílias e escolas, característica da “Modernidade” de Bauman, não são orientados adequadamente a refletir sobre as consequências de seus atos para com seus colegas. Com reflexo disso, há disseminação do “bullying”, especialmente nas escolas, contra aqueles considerados diferentes ou fora dos padrões da juventude, como os gays, o que pode levar a depressão, exclusão social e perda do rendimento escolar em tais vítimas.
Outrossim, a ineficácia das políticas públicas preventivas e punitivas contra tais atos no Brasil agrava tal quadro. Para Aristóteles, filósofo grego, a política deve ser usada de modo a alcançar a justiça e o bem-estar dos cidadãos. Entretanto, observa-se que tal ideal não é devidamente praticado pelos entes federativos brasileiros, haja vista que, a despeito da Lei Antibullying de 2015, os relatórios bimestrais sobre essa prática violenta nas escolas da nação, previstos pela referida lei, nunca foram enviados pelos estados municípios, o que demonstra seu descaso com essa mazela social. Além disso, o não estabelecimento de punições aos autores do “bullying’ pela legislação estimula sua prática frente a sua impunibilidade.
Dessa forma, urge que o Estado brasileiro tome medidas que combatam o bullying no país, mitigando seus efeitos para o corpo social. Destarte, o Ministério da Educação, junto à ONGs, devem promover o diálogo a respeito dessa temática entre pais, alunos e professores, nas escolas, por meio de palestras, oficinas e rodas de conversa a fim de solidificar as relações sociais, a tolerância ao diferente e a reflexão social e juvenil quanto as consequências do bullying para as vítimas, reduzindo esse mal contemporâneo. Por fim, a Sociedade Civil Organizada deve, mediante protestos pacíficos, exigir dos estados e municípios a elaboração dos relatórios bimestrais sobre tais atos violentos e o estabelecimento legal de punições aos seus autores para garantir a justiça e o bem-estar social.